Apesar do desacordo ortográfico, fui almoçar com o Drácula.

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Isto podia ser um apelo dramático ou um elogio da minha própria pessoa mas, sendo eu espectacularmente modesto, dar sangue não é nada de mais. No entanto, constou-me que o meu tipo de sangue é dos que está com stock mais baixo e não tendo nenhuma prova no horizonte, estava na hora de falar menos e contribuir mais. Contra a recessão de dadores, mas torcendo também o nariz à receção dos mesmos, lá fui eu.

E, em vez de postar bonitas fotos do meu almoço, achei preferível postar uma foto do que seria sem dúvida alguma uma das tasquinhas preferidas do Drácula. Pode ser só mais uma, mas se contribuir para alguém me fazer companhia, melhor.

De segunda a sábado até às 20horas no IPS ali no antigo Júlio de Matos (agora já me deixam sair), se vos aprouver. Tenham cuidado com as senhoras do “bar”, entre reforço antes e depois da doação são capazes de vos obrigar a enfardar 42 sandes, 12 sumos, 20 bolachas, 2 cafés e 11 copos de água. E não contentes, recomendaram-me para ir almoçar mal saísse dali…

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1984, 1994, 2004 – Discos que me passaram pelos ouvidos

Para além fogo e ruídos surdos, o Ricardo fez uma coisa que não devia – uma espécie de lista de discos que o marcaram em 1994 e que, vinte anos depois, ainda valem a pena mencionar. Ora eu, entre os vários problemas que tenho, admito que criar listas, tops e afins fazem parte dessa lista (aí vamos nós outra vez). Como tal, não só me dei ao luxo de ir para lá mandar bitaites e acrescentar discos, como ainda dei por mim a pensar que as minhas escolhas são de facto relevantes para além da minha pessoa, a ponto de merecerem um post.

Assim, sem qualquer outro critério de qualidade que não o da minha pessoa (pois…), decidi-me a fazer o meu top 7 de álbuns ao longo desses três marcos ao longo de 20 anos. Quais os critérios? Primeiro, o facto de eu estar vivo nessas datas. Segundo, o facto de ter que ser o total do álbum a ter algum impacto/influência na minha pessoa, isto é, se for só uma música não dá, porque isso me iria lixar o top 10 de músicas que um dia hei-de fazer. Terceiro, tem que ser uma coisa do momento ou aproximado, não vale a cena hipster-retro de “Em 2014 comecei a ouvir muitas cenas de 84 e aquilo é que era bom”. Quarto, não há ordem específica, as escolhas valem como um todo. Quinto, há claros sintomas de dispersão musical nas minhas opções. A malta pedante chama-lhe eclectismo e, para não ficar mal, se calhar dá-me jeito assumir-me como pedante na matéria. Vamos então a isso.

 

1984 – O período infanto-susceptível

(era uma criancinha, tinha o álbum do Naranjito, isto são influências de irmã mais velha, mas a verdade é que muitas coisas ficaram n ouvido durante muitos anos. A isso juntam-se pequenos despertares que depois, à medida que me ia adolescentizando, se tornaram presenças maiores)

 

Depeche Mode – Some Great Reward

Thompson Twins – Into the Gap

Frankie Goes to Hollywood – Welcome to the Pleasuredome

Bob Marley&The Wailers – Legend (compilação)

The Smiths – The Smiths

Metallica – Ride the Lightning

Run DMC – Run DMC

 

1994 – O período revolto-juvenil

(nota-se o conteúdo revoltos, toques de grunge e agressão, mas também uma certa melancolia)

 

Beastie Boys – Ill Communication

Korn – Korn

Pearl Jam – Vitalogy

Soundgarden – Superunkown

Massive Attack – Protection

Alice in Chains – Jar of Flies

Body Count – Born Dead

 

2004 – O período pseudo-adulto-enganador

(mais dispersão, mais modernidade, o alternativo não vai a extremos)

 

Eagles of Death Metal – Peace, Love, Death Metal

Franz Ferdinand – Franz Ferdinand

Aha Shake Heartbreak – Kings of Leon

Talkie Walkie – Air

Reise, Reise – Rammstein

Rearview Mirror – Pearl Jam (colectânea)

You are the Quarry – Morrissey

 

Dão todos uma bela salada de frutas, eu sei, mas são todos tijolos da mesma casa e só não coloco links porque hoje para vos dar música basto eu. A verdade é que tentei ser honesto e ir por aqueles álbuns que mais vezes ouvi e que ainda hoje sei muitas faixas de cor e os quais vou facilmente buscar ao baú e continuam a fazer sentido. Há muito mais para além disto, mas o problemas das escolhas é mesmo este, para agarrar uma gota perde-se um oceano.

A tentação de Eva segundo o calendário e os bombeiros de Setúbal

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Depois de ter visto imagens da sessão da Eva Green para o calendário Campari 2015, não me resta mais do que desejar boa sorte aos Bombeiros de Setúbal, pois terão que se esforçar para criar um novo calendário que dê luta.

Sim, é certo que estou a ser parcial, desonesto e tendencioso. Contudo, não me chamando Adão, nem vivendo em nenhum paraíso, creio que é certamente desculpável. Até porque esta Eva pode não ser o supremo dos supremos, em termos dos cânones de beleza, ou ter a personalidade magnetizante que faz a diferença mas, aquilo que eu aprecio nela é o que está nas entrelinhas, o chamado subentendido. E não me refiro apenas a entrelinhas estilo Sin City.

Enfim, já estivemos mais longe de 2015.

S-e e-u e-s-c-r-e-v-e-r SPAM p-o-s-s-o d-i-z-e-r m-e-r-d-a?

Há tendências para tudo e isso não é novidade nenhuma. No entanto, mais do que roupa, modalidades, penteados, música ou séries, interessa-me falar sobre tendências em Spam, vulgo lixo cibernético. Desde que me lembro de ter email que o Spam é algo que acompanha a evolução do mesmo. Contudo, em termos de temáticas, há sempre três focos centrais: 

– Posso ganhar uma pipa de dinheiro sem fazer nenhum, devido ao azar/necessidade de alguém, normalmente num país lá ao longe.

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– O tamanho do meu pénis pode beneficiar de aumentos extraordinários, mesmo em épocas de recessão económica.

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–  Há comprimidos fidedignos e a preços módicos que me podem tornar num coelhinho da Duracell, com performances non stop, especialmente agora que tenho um instrumento de prazer que rivaliza em tamanho com cacilheiros.

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Salvo estranhas excepções, as narrativas andam em variante à volta disto. Não há histórias novas, não há criatividade, nem sequer a inteligência para combinar várias tendências. Nos últimos tempos a única inovação que vi foi a utilização de p-a-l-a-v-r-a-s c-h-a-v-e separadas por hífen, possivelmente para tentar ludibriar os filtros. Sem sucesso, acrescente-se.

 

Num derradeiro apelo, deixo o exemplo de um mail de spam combinando tendências em Portugal para optimizar resultados. 

Subject: Aumente os seus ténis e fique rico a noite toda

 

Olá, sou uma princesa de um país de que nunca deves ter ouvido falar, por isso fica apenas a saber que é exótico e tem camelos com ar condicionado. Sou boa como o milho, mas isso é irrelevante para esta história, por isso é favor manter as mãozinhas no teclado.

A questão é que fiz anos há pouco tempo e o meu pai, um tipo cheio de carcanhol (derivado de petróleo e chamuças deveras condimentadas), ofereceu-me uma farmacêutica e um closet do tamanho do Montijo. Confesso que fiquei desiludida, tinha-lhe pedido um arquipélago porreiro e nem sequer as Berlengas me meteram no sapatinho.

Como tal, tenho aqui um excesso de comprimidos da farmacêutica que preciso de escoar. São comprimidos muito bons porque te deixam com pica para correr a noite toda se for preciso. E ainda por cima têm o simpático efeito secundário de te aumentar os pés, uma garantia de estabilidade para quem quer correr a torto e a direito. Aumentam outras partes do corpo? Depende da forma como corres, creio eu…

Se comprares os comprimidos, podes ficar rico, porque a mim me dá jeito uma equipa de estafetas para procurar roupa no closet, porque é difícil encontrar a roupa certa e se estás à procura de cenas na secção de vestidinhos e metes no cruzamento errado, é como querer ir para o Fórum Montijo e ir parar à Arrentela. Caso aceites, tomas três comprimidos antes do almoço, pões-te ao caminho e, por cada peça que vás buscar, podes ficar com uma para ti. Só te peço uma coisa, não leves camelos, porque são de leasing.

Como é que podes participar nisto? É fácil, estás à ver aqueles anúncios da TV com linhas de valor acrescentado para ganhares uma porrada de dinheiro com que te estão sempre a bombardear? É esqueceres as gajas com ar meio vendido, a má dicção, o ambiente falso e o número de telefone e é quase o mesmo.

Manda-me um mail para eu te dizer para onde podes fazer uma pequenita transferência como sinal de boa vontade e eu explico-te tudo aqui – princesataoboataoricaetaoboazinhaqueparecementira@gmail.com

Casualidade, causalidade e palavras nas asas de um avião

Para além de tudo o que é consequência, exploração, aproveitamento, interesse, cena mórbida, tragédia, estupidez humana e por aí em diante, há um pormenor que retive deste incidente com o avião da Malaysian Airlines abatido lá para os lados da Ucrânia.

O post/piada do destino que alegadamente um passageiro holandês desse avião colocou minutos antes de descolar.

Certamente não será a primeira vítima de ironia fatal do género, mas a coisa deixou-me a pensar no que são palavras certas no momento exacto vs palavras certas no momento errado vs palavras erradas no momento certo.

E a “piada” é que, salvo raras excepções nunca podemos garantir a derradeira piada, o fecho de cortina certo ou o momento em que algo que deixemos no ar se torna imortal, nem que seja à conta da nossa mortalidade.

Ainda assim, considero que isso será porventura melhor do que a pressão de ter de escolher as melhores palavras para que se tornem últimas palavras. É de forma que continuo a ter a liberdade de espírito e a inconsciência mais ou menos deliberada de poder continuar a debitar alarvidades que, se um dia se tornarem as últimas que alguma vez proferi, estão por sua própria conta e risco, já que já não vou ter nada a ver com isso.

Bandas sonoras para estender a roupa

Estender a roupa não é uma cena de que um gajo se possa gabar em conversas de macho e olhem que eu já tentei: “Estou a dizer-vos pá, era uma máquina cheia de lençóis e diversas peças delicadas e eu estendi aquilo a bombar em menos de dez minutos, com molas estrategicamente colocadas para reduzir os vincos” – corta para silêncio constrangedor antes de uma referência futura ao estado do Benfica.

A verdade é que aprendemos com os erros e a minha mãe, pequenita em tamanho, gigante na astúcia, cedo percebeu que educar um madraço em certas tarefas era capaz de o ajudar a ser um adulto com skills que o deixassem acima do estatuto “vegetal doméstico”. E, não sendo um épico, é algo que dá jeito, quer na vida a solo, quer na vida a dois e por aí em diante.

Obviamente, cada estendedor de roupa tem as suas técnicas, manias e recursos próprios. Diria que tudo isso faz com que essa actividade não seja das que se podem promover como espectacular para fazer a dois mas cada um sabe de si.

Estes rituais traduzem-se por vezes em experiências estranhas, como um tipo que eu via a estender roupa quando era puto e o fazia sempre em tronco nu, balançando uma volumosa pança no beiral, até mesmo no Inverno. Quero pensar que era apenas tronco nu e felizmente ele nunca se debruçou o suficiente para eu tirar a dúvida.

Não costumo ir tão longe em termos de indumentária (ou falta dela) mas, por vezes, aprecio uma boa banda sonora para dar andamento ao ritmo no estendal. Não serei o DJ Paninhos Turcos ou o MC Sintéticos Coloridos, mas confesso que uma boa banda sonora dá jeito.

Hoje, por exemplo, não havendo corrida matinal, houve direito a Estendal Incoerente Sessions, com temas como:

Sim, tenho a noção que há vizinhas que já me olham de outra forma. E não tem a ver com o facto de estender equipamento de corrida com apenas uma mola.