Uma marquise de eloquência

Pensei em abrir este espaço com eloquência, não porque tenha ambições de passar por guru do que quer que seja, nem sequer por pensar que a minha opinião é mais válida que a do blogger do lado. Talvez um toquezinho de literatura, um cheirinho de cinema alternativo ou uma disputa épica entre poesia e bom vinho. No entanto, isso seria como ter uma marquise cheia de alumínio lacado e achar que meter lá um tapete turco e uma aguarela de um pintor bósnio vanguardista iria equilibrar a coisa e dar-lhe um toque moderno. Mas lá estou eu a armar-me em elitista das marquises, como tantas vezes me acusam na Academia (não de Letras, mas de Copos).

A verdade é que já me sobra pouco tempo para ser aquilo que realmente sou, quanto mais estar a preocupar-me em tentar ser aquilo que nunca serei. Por isso, um brinde aos meus amigos verdadeiramente intelectuais, pois terei todo o gosto em saber mais sobre os vossos livros, as vossas peças e ouvir novas do vosso mundo sem qualquer tentativa de o invadir à bruta. Faremos um acordo, se um dia lá aparecer será certamente por acaso e, assim sendo, façam o favor de me dar indicações de jeito que, pelo que sei, é fácil um tipo perder-se nesses meandros.

Aos amigos cinéfilos, um mea culpa. Por vezes tomo o bastante que sei, pelo pouco que isso representa no total da 7ª Arte. O que sei chega-me, o que não souber, sei sempre onde ir buscá-lo. Craques do humor, tenham paciência comigo, acredito que nessa matéria sou uma espécie de diamante em bruto, só não sei se mais bruto que diamante. Na pior das hipóteses serei carvão, na volta com pouca piada mas, ainda assim, com muito potencial para me tornar uma verdadeira brasa.

Parceiros do desporto e entusiastas da corrida, não me levem a mal mas há muito que decidi que serei eu a definir os meus limites. Jogarei basket enquanto tiver cabedal para isso, não porque fazer anos no mesmo dia que o Kobe Bryant seja uma mensagem divina, mas porque isso me dá gozo (sim mãe, também me dá mazelas). Mas jogarei onde e quando puder, nunca por obrigação.

Sobre as corridas não vou impor grandes limites, porque ainda estou a descobri-los, sempre com a minha passada a ditar o ritmo. A adrenalina está lá, mas a transição frenética do sofá para os limites da sanidade mental corredora não. Não nasci agora para o vício do desporto e da superação. Falta falar sobre o xadrez, mas isso vai sempre ser uma falta assinalada e agora podia vir um piscar de olhos e a dica “sempre preferi as damas”. Mas quando isto se tornar um blog sentimental, estará na altura de começar a jogar xadrez.

Agora que penso, em termos de desportos americanos, nomeadamente NBA não tenho amigos que saibam mais que eu, no limite tenho alguns que saibam tanto como eu. Para quando um Prémio Nobel do Conhecimento Irrelevante sobre basquetebol jogado noutro continente?

E aos amigos da vida, que digo eu? Não lhes digo nada, porque às vezes passamos demasiado tempo a dizer coisas às pessoas através de teclas, de likes, de comentários, de posts e de coraçõezinhos feitos através de atalhos. A esses digo-lhes em pessoa o que tiver a dizer, numa espécie de esforço para que um dia, quem sabe, talvez certas coisas voltem à normalidade.

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