Correr com a tristeza

Estou-me pouco borrifando para a corrida enquanto moda e creio que já fiz ver isso a quem me rodeia. E a verdade é que às vezes corro não para cuidar do corpo, nem sequer para amainar o meu eu competitivo, corro pura e simplesmente porque sinto que me faz bem à cabeça. Seja uma hora, trinta minutos ou trinta quilómetros, o objectivo não é esquecer ou não pensar em nada. É deixar que pensamentos, ideias, alegrias, tristezas, incertezas e memórias desfilem por mim e que tudo faça um pouco mais de sentido, mesmo quando nada faz sentido algum.

Hoje foi um dia assim.

E ainda o sol se começava a levantar, cheguei suado ao topo de uma colina, com as pernas pesadas mas ainda assim leves quando comparadas com o coração e não foi a vista panorâmica de parte da cidade que me fez suspirar. Sentei-me uns segundos a olhar para lá do que a vista alcança e cheguei à conclusão que, por vezes, é impossível correr mais que a tristeza que sentimos. Terei que ir correr mais vezes, levá-la comigo, confrontá-la com aquilo que sei que ela nunca poderá apagar e daqui a algum tempo, quando der por isso, vou estar no topo de outra colina qualquer a olhar para trás, perceber que a ultrapassei e decidir que é tempo de apreciar a vista.

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