Quando Murphy vai à mesma loja que tu

Large group of people waiting in line

Para quem tenha problemas com a autoridade, ter que olhar com respeito para uma grandeza ao género da Lei de Murphy não é algo agradável. É por isso que tento não lhe dar demasiada importância, deixando que vença as suas batalhas, mas nunca lhe declarando guerra. No entanto, há situações em que fico sempre com a noção que devia quebrar esse princípio, nomeadamente quando recorro a lojas/serviços que só uso de longe em longe.

Aqui há uns dias tive que ir a uma reprografia, para verificar e recolher um trabalho simples que lá tinha sido encomendado. Ao aproximar-me da entrada vejo que está uma pessoa a ser atendida e, pela forma como manuseia tshirts parece estar em processo um orçamento de impressão. Nada está perdido, pois há outro funcionário disponível e, se eu for o próximo a entrar sou atendido de imediato. O problema é que se aproxima outra figura pela direita e, só de olhar para ela – homem na casa dos 50 e tal, pasta de couro antiga e ar cansado, parece-me do género que ainda envia faxes e faz do mais simples trabalho uma tarefa hercúlea.

Tenho duas opções: acelero descaradamente, ultrapassando-o à bruta e garantindo uma passagem rápida e eficaz pela loja ou então mantenho o modo tranquilo, deixo o homem da pasta de couro entrar à minha frente e espero que o universo me recompense pela minha postura.

Deixei que o anjinho no meu ombro falasse mais alto e foi isso mesmo que fui – anjinho.

A senhora das tshirts lá continuava, pedindo orçamentos, exemplificando modelos imaginários com os braços e a coisa prometia não ficar por ali. Assim que o homem da pasta de couro a abriu, vi logo o tormento nos olhos do funcionário da loja que se reflectia também na minha paciência. De lá iam saindo molhos, molhinhos e molhadas de folhas, presas com clips e pequenas notas manuscritas a acompanhá-las. Como se de novos mandamentos se tratassem, o senhor lá iam dizendo “É para digitalizar tudo em PDF. Mas atenção às notas escritas, pois há folhas do molho A que depois devem também acompanhar o molho B e depois tem que se aplicar o mesmo ao C, D e E. Também tem que ver que…”

O rapaz da loja interrompeu-o e eu pensei que lhe ia dizer, venha apenas na sexta, entre as 10 e as 11, que é o nosso horário especial para trabalhos que não lembram ao demónio. Mas não, pediu-lhe apenas clemência e para lhe ir passando a tarefa molho a molho.

Observei o cenário à minha frente e vi nitidamente Murphy a rir-se para mim, pelo meio de prints em tshirts e papelada infinita a espreitar numa pasta de couro. Depois fiz o que toda gente hoje em dia faz – enterrei a cara no telemóvel e tentei procurar coisas interessantes para fazer esquecer a seca que ia passar.

O tempo passou, mais de vinte minutos dele, finalmente foi a minha vez, mas eu não esqueci. Aliás, aprendi também – na próxima até uma rasteira passo, para garantir que se o gajo das leis do fatalismo se quer rir, não sou eu que o vou ajudar a isso.

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