Lições de sofrimento pintadas a azul-belém

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Gosto bastante de futebol mas, traço geral, estou longe de ser um sofredor nato nessa matéria. Talvez seja por não ser o meu desporto de eleição, esse é o basket, com anos de prática oficial e depois amadora, quase sem interrupção desde os treze anos.
No entanto, sou do Belenenses e isso, para além da essência em si, acresce na dose de sofrimento para quem cresce em Lisboa longe da malha de Sporting e Benfica. Se a isso juntar o carinho especial que também tenho para com o Atlético, então a festa está feita.

Mas cresci não muito longe do Estádio do Restelo e desde a primeira vez que lá fui fiquei fascinado com uma das mais deslumbrantes vistas que um estádio pode ter e que tantas vezes ajuda a atenuar a tristeza de resultados menos conseguidos no relvado. Por isso, apesar de basicamente até hoje só ter visto o meu clube a conquistar um título, não consigo deixar sempre de acreditar em algo maior e algo melhor para o futuro do Belém.

Por várias razões nunca fui sócio mas há poucas semanas mudei de ideias. Infelizmente, a pessoa com quem gostaria de partilhar a notícia já não está presente mas, de certa forma, se alguma coisa pudesse dizer para um ínfima compensação, é que o clube assim não perdeu um sócio.

Hoje fui ao estádio, sempre demasiado vazio para a grandeza e espírito do clube, e aproveitei para conversar com um amigo de longa data. Salvaram-se esses momentos, porque em campo a festa foi para quem veio de Guimarães. Há sempre um velhote do Restelo, não um velho porque lhes falta maldade para isso, que se indigna e encontra a injustiça mesmo onde ela não há – perdemos 3-0 e perdemos bem, quando as falhas são maiores que as virtudes não há muito para fazer.

Como é tradição, sabendo-me no estádio, amigos de Sporting e Benfica aproveitam logo para molhar a sopa – é fácil, há sempre uma boa margem para tentar abalar a fé dos pastéis. Mas, o que eles não entendem é que, para quem é um verdadeiro adepto do Belenenses (e eu gosto pouco das teorias do “clube simpático” ou do “é o meu segundo clube”, mas não me vou alargar agora sobre isto), esse manancial de gozo é uma gota no oceano de sofrer por um clube que terá sempre que penar para singrar e que, quanto mais singrar, mais as hipóteses de penar irão aumentar, pelo facto de ser sempre uma terceira via ao lado de uma auto-estrada de duas faixas.
Não saí do Restelo contente é certo, mas não me revejo na essência de derrotado. Ser do Belenenses é saber que há sempre uma grande probabilidade de cair mas nunca deixar de tentar arranjar forças para se levantar.

E depois amanhã corro 29kms de manhã e arranjo logo forma de diluir a azia.

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