Santos, pecadores e nuvens

Esta é das peças mais interessantes que li sobre o “escândalo” das fotos de celebridades nuas que estavam na cloud da Apple e que foram hackeadas. A quem interessar, recomendo que o leia e tire as suas conclusões.

Da minha parte, preparava-me para mandar um ou outro bitaite sobre isso, depois de nos últimos dias ter visto/ouvido muito regabofe à minha volta sobre isso. Dos vários ângulos destaco sempre aquele do “Como é possível, parece que só eu é que ainda não vi essas fotos. Alguém arranja aí o link?”. Uma vez parece natural, repetido sete ou oito vezes, cheira a rebarba ou voyeurismo agudo.

O que me fez repensar a necessidade de ser mais um a falar da nudez (física ou mental) de outros foi a Eva Green que, como fiz menção em posts passados, é uma rapariga cujos atributos captam a minha atenção. Tendo eu visto o Sin City 2 há coisa de poucos dias, posso dizer que fiquei desiludido com a edição do mesmo (as conclusões das três histórias que o filme percorre não estão na ordem que deviam, a meu ver) mas, por outro lado, não me posso queixar das doses de Eva Green servidas.

O cachet deve ter sido elevado, pois dar o corpo ao manifesto é aqui um claro eufemismo e isto não é uma queixa. Li depois uma entrevista da senhora, em que se confessava tímida e que aquele tipo de cenas não era algo que encarasse com grande à vontade, mas que o realizador e o resto da malta envolvida tinham sido espectaculares, and so on.

Não entrando em filosofias, a questão é “aquilo é um papel, mas não deixa de ser um claro acto de exposição do corpo”. A quem o tenha visto e apreciado, teria dado mais gozo se fosse uma imagem tirada da vida real? Seria realmente mais “real” e a timidez soaria mais “falsa”?

A exposição de figuras públicas dá um novo carimbo de aprovação ao voyeurismo nas suas mais diversas facetas? Não sei, até porque as barreiras entre o “sem querer”, o “propositado” e o “planeado ao detalhe para parecer casual” são coisas cada vez mais difíceis de distinguir no mundo de cortinas de fumo e imagem-dependência em que vivemos.

Do meu ponto de vista, fico satisfeito por ter visto o que vi da Eva no contexto em que foi visto. Não preciso de entrar em meandros extra para tentar ganhar uma satisfação que não está lá. Há coisas que se calhar têm mais valor e o devido encanto quando são vistas de uma determinada distância e tentar chegar mais perto só ajuda a borrar a pintura.

E agora seria bonito terminar com o link para as fotos gamadas da cloud.

Mas não, é só um sublinhado numas palavras a azul.

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