Alforrecas e opiniões do senhor da fruta

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Durante o Verão, estava eu de férias numa praia em Espanha e calhou que, num dos dias, logo pela manhã a água estivesse carregadinha de alforrecas. Não eram duas ou três, eram centenas, pequenitas, médias e por aí em diante. Para além de terem um nome bem mais porreiro para este ser – medusas – a malta em Espanha (pelo menos ali) também tem uma cena bem cool, que é uma bandeira cheia de desenhos das ditas cujas que o nadador salvador faz o favor de hastear, para deixar toda a gente de prevenção.

Nessa praia, cheia de gente de todas as nações, a reacção à bandeira foi surpreendente por parte de muita gente, como se o tipo tivesse lá colocado uma bandeira a dizer “Vêm aí os aliens, preparem-se para a aniquilação total”. Eu já tinha visto as alforrecas, mesmo antes da bandeira lá estar e, como qualquer pessoa normal sem um extremo desejo de sofrimento, não entrei na água, limitando-me a dar uma volta a beira-mar.

Que as crianças não saibam e avancem pela água até sair de lá aos gritos, eu compreendo, se eu fosse puto provavelmente fazia o mesmo. Agora adultos a fazer birra e a tentar entrar na água e contornar algo que não é contornável, para mim não é compreensível, apesar de dar excelentes momentos de humor.

Como por exemplo o valentão que se ri na cara do perigo, avança com três ou quatro passos fortes para preparar o mergulho másculo seguido de três ou quatro braçadas vigorosas, certamente na esperança que a bicharada só esteja à beira mar. Não estava e, passados uns minutos, temos um gajo a sair da água que, embora não sendo DJ, está ali a investir seriamente no scratching.

Depois temos a criança do demónio, que ameaça ir a correr várias vezes para dentro de água, para desespero dos pais que se levantam várias vezes para ir atrás dela. Num momento à Messi,o endiabrado anão, com um balde e um ancinho na mão, faz uma finta e uma semi inversão de marcha elaboradíssima que não só finta a mãe, como a faz desequilibrar-se e cair na água, já aos gritos, ainda nem a alforreca mais próxima tinha dado por ela. Coitadinha, não deve ter ganho para o susto, e continuo obviamente a falar da alforreca.

Finalmente, o meu favorito pelo paralelismo com outras situações que por vezes acompanho, o casal que, depois de 20 minutos a olhar para a água e para o nadador salvador, preferem ir ter com um tipo que está a tentar vender cocktails de fruta na praia e perguntar-lhe se aquilo é realmente perigoso e se não há mesmo hipótese de irem para a água. Claro que é lógico, vamos evitar o profissional competente para avaliar a situação, que certamente nos vai dar uma resposta contrária à que queremos e vamos procurar validação junto de um tipo que pode perceber tanto ou menos do assunto que nós.

Por momentos fiz figas para que o vendedor de fruta lhes dissesse “Força nisso, mergulhem à bruta, é uma sensação magnífica”, mas o tipo estava determinado em impingir-lhes um cocktail e como eles se esquivaram ao preço, depois de uns minutos de insistência a apontarem para o mar e ele a apontar para a fruta, acabou por encolher os ombros e fazer-lhes sinal para irem ter com o nadador salvador. Coisa que eles não fizeram, ficando certamente à espera de uma figura mais competente para lhes tirar as dúvidas, como por exemplo um vendedor de gelados.

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