O turista suado

Diria que uma boa parte da população corredora de Lisboa e arredores se deve ter concentrado hoje no eixo junto ao rio. De Cascais vinha a Maratona, da ponte Vasco da Gama a Meia e certamente que de uma bela franja de automobilista desprevenidos vinha um chorrilho de insultos e maldições. A Expo era o epicentro das conclusões.

Não tendo eu nada contra este tipo de ajuntamentos (aliás, o ano passado fiz uma Maratona de Lisboa de muito má memória, à conta do calor), decidi no entanto ir fazer a festa durante três horas para zonas menos povoadas de atletas.

Pelo meio das minhas manias de corrida, conforme vou acumulando quilómetros e percursos, há a de tentar ir passando em ruas de Lisboa pelas quais nunca passei na minha vida (o objectivo secundário – ruas que só tenha passado de carro). Às vezes a coisa dá-se casualmente e dou por mim a tentar perceber onde é que aquela ruela vai dar e se a Brandoa é mesmo o melhor sítio para fazer experiências pedonais. Noutros casos, o planeamento impõe-se e se vou fazer um percurso longo, ao menos que aproveite a viagem passando por sítios diferentes.

O que é engraçado é que há ruas que para alguns são o pão nosso de cada dia de passagem e eu, que sempre vivi, estudei e trabalhei em Lisboa nunca lá pus os pés. Hoje, por exemplo, passei pela Avenida Cidade de Praga, a caminho da estação de Metro da Pontinha e do Teatro Armando Cortez e, que me lembre, nunca o tinha feito, apesar não ser propriamente um qualquer beco escuro e fora de mão. Dando a volta pelo Quartel da Pontinha, dei por mim a descer a Gulbenkian, não a outra que vai dar à Praça de Espanha, mas uma que vai dar algures entre Odivelas e Famões e que tem uma vista impressionante sobre todo aquele lado, totalmente recortado pelas encostas contrárias.

Dadas umas voltas pelos arredores e subida a encosta puxada da Serra da Luz (são poucos os carros que a fazem sem ser em primeira e ainda não vi nenhum ciclista a subi-la), lá mais à frente depois da Quinta das Conchas resolvi ir até à Alta de Lisboa e percebi que entre tanto prédio relativamente novo nunca tinha subido a pé (e duvido se o fiz de carro) a Avenida Vieira da Silva. E lá fui eu, rumo ao Júlio de Matos (agora Parque da Saúde de Lisboa) onde, a ver por estas voltas, podia facilmente ficar a fazer uma cura. Mas, como a partir daí já estamos em território que domino, o melhor foi seguir para casa, onde o turista suado é sempre recebido com via expressa para a banheira.

Anúncios

Tens a certeza disso que dizes?

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s