O Indiana Jones das tascas

Sou um grande fã de coisas despretensiosas no que à comida diz respeito. Não quero com isto dizer que não aprecie a finesse de certos locais dedicados à nobre arte da comida, mas acho que o hype de certos sítios/conceitos acaba por tornar demasiado dispendiosa ou, de certa forma, contribuir para criar um balanço desequilibrado entre expectativas-experiência que na tasca já não existe.

E porque tudo tem o seu tempo e momento, considero mais interessante descobrir, nem que seja por acaso, uma tasquinha fora dos 500 roteiros de tascas que já não o são ou dos estabelecimentos que de tasca só têm o conceito do que ir confirmar se o restaurante de top XPTO é digno dos seus créditos ou não e a coisa é movida pela comida ou pela novidade.

Aliás, se há coisa que uma boa tasca não é, é ser novidade. A história de uma tasca ou de um restaurante que, não sendo tasca, nunca teve outra pretensão que não servir simplesmente boa comida simples e honesta, normalmente funde-se com a sua envolvência, seja num bairro típico, numa zona de trabalhadores daqueles que deitam mesmo mãos à obra ou naquele bairro residencial onde a população nunca levou a notícia da existência daquele sítio para fora dele. É raro estarmos lá quando uma boa tasca há, até porque uma boa tasca envolve também uma boa história acerca do seu surgimento e da forma como chegou até nós.

No sábado tive a oportunidade de chegar até um desses lugares que, embora não sendo tasca, tem todos os predicados de um lugar do género. Bairro residencial, localização semi-escondida e pouco divulgada, apesar de bastar entrar lá para saber que quem conhece marca presença regularmente. Cozinha de estilo familiar, empregados com anos de casa e aquela simpatia/jeito típico de empregado de mesa que, não sendo xico-esperto, tem sempre um bitaite oportuno a partilhar. A história comum entre donos-empregados com um passado que remonta a Angola e uma clientela que se vê que 80% é local e o resto anda lá perto.

Podia falar sobre a comida, mas tenho medo que o blog apanhe um vírus e eu comece a ter que tirar fotos ao que estou prestes a ingerir. Digo apenas que era caseira, na dose certa, sem ter nada ali que só estivesse para encher ou fazer bonito e que o vinho à pressão fazia jus ao que é suposto haver em sítios assim.

A curiosidade, para além da satisfação no final – ultimamente só costumo passar por aquela zona quando vou correr longas distâncias e de uma das últimas vezes que o fiz, para aí uma rua acima deste restaurante-tasca, pensei “Este bairro deve ser daqueles que ali pelo meio tem um cafézinho ou restaurante pequeno que só os Indiana Jones das tascas descobrem, se não forem daqui.

Felizmente assim foi e lá me levaram a este Cantinho em Linda-a-Velha. Pode haver quem discorde mas, para mim, é digno de outras futuras explorações.

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