Um abraço na noite

Esta semana, regressando de um jogo de basket, conduzo calmamente pelo meio das ruas de Lisboa que, em noite de frio e chuva, mais do que calmas, estão quase vazias. Perto de um semáforo no vermelho, abrando e vejo um senhor de uma certa idade que caminha em passo muito lento, como se tentasse evitar a todo custo chegar ao local para onde se dirige. De repente, parou junto a um outro homem que estava de cabeça baixa e só quando se apercebeu da presença de alguém é que levantou o olhar. Sem terem falado, o que chegou deu um grande e sentido abraço ao que já lá estava, que se limitou a ser envolvido pelo gesto, como se isso lhe tirasse um pouco do fardo que parecia carregar.

De repente apercebi-me que estava junto ao cruzamento não muito longe de casa onde, por detrás de umas árvores com ar triste, existe uma capela mortuária. O semáforo ficou verde e segui caminho, esperando que um dia, talvez como em todos os casos em que somos confrontados com o jogo em que perdemos sempre, aquelas pessoas consigam fazer o mesmo.

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