O período surrealista das entrevistas profissionais

Tenho a sorte das minhas área profissional me fazer evitar boa parte dos moldes tradicionais das entrevistas. É que, quando mostras um portefólio exemplificativo do que fazes e dos teus skills profissionais, pelo menos nessa parte é possível dialogar sobre trabalho concreto e não sobre xadrez mental, com a escolha das palavras certas para quadros teóricos, assim como evitar ratoeiras e por aí em diante.

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Nessa parte, pelo menos o cenário não é tão dantesco como casos que me relatam vindos do “mundo das entrevistas normais” (e não me façam falar sobre certos tipos de empresas de recrutamento e os seus testes dinâmico-quadradões).

Obviamente que, quando a conversa chega ao capítulo “Propostas financeiras” e “Condições profissionais” em 90% dos casos a situação é muito semelhante ao circo do costume – o empregador a esconder a mão e as batatas quentes quase sempre a ficarem nas mãos do candidato.

Seria engraçado ter entrevistas ao estilo do universo daquele filme do Ricky Gervais em que as pessoas não sabem mentir, com a honestidade em estado bruto/estupidamente cru. Isso, eu pagava para ver.

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Não chegando a este pormenor de requinte, passou-se no entanto aqui há uns tempos comigo um episódio entrevístico-surreal. Ligam-me da recepção do sítio onde trabalho – pelos vistos estava lá uma jovem que queria falar comigo. Lá fui e posso dizer que nunca a tinha visto na vida e ela idem. Estendeu-me cordialmente a mão e disse-me que, tal como tínhamos combinado, cá estava ela. Temendo estar a ser atacado por alguma amnésia, em virtude da convicção da moça, pedi-lhe para me relembrar as coisas, visto que eu não estava a conseguir situar a situação.

Ligeiramente surpreendida, mas não desarmando, explicou-me que tínhamos trocado mails e que eu lhe tinha pedido para passar por lá para uma entrevista pessoal (gosto muito de entrevistas pessoais, são tão melhores que entrevistas impessoais).What+happens+during+a+job+interview_2fe868_3702785

Nesta altura já eu tinha a certeza absoluta que havia um equívoco qualquer, mas tive medo de um qualquer ataque psicótico que pudesse surgir. Perguntei-lhe se estava 100% certa de ser eu a pessoa com quem ela queria falar e ela voltou a referir o meu nome. Foi então que lhe disse o nome da minha empresa, que gerou nela o efeito pimentão. Começando a ficar cada vez mais atrapalhada, disse ter perguntado na portaria do edifício e que lhe tinham dado aquele andar e que a recepcionista tinha sido muito pronta a chamar-me. Pois tinha, mas pelos vistos ambas desconheciam que há dois gajos com o mesmo nome a trabalhar em empresas no mesmo piso.

Fazendo um esforço para não me rir, disse que teria todo o gosto em entrevistá-la, se assim o desejasse mas que, a minha melhor sugestão era eu ir com ela até ao fundo do corredor, onde o Sérgio certo provavelmente já estaria farto de esperar por ela.

Visivelmente em estado de choque, a rapariga acompanhou-me até à entrada da empresa certa. Desejei-lhe boa sorte e disse-lhe para não ficar desanimada pois, apesar de se sentir meio desnorteada, pelo menos já tinha uma boa situação para quebrar o gelo. E, por vezes, isso é o ideal para abrir uma boa entrevista.

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5 pensamentos sobre “O período surrealista das entrevistas profissionais

    • Não sou assim um personagem tão intimidatório 🙂 se bem que vir de tailleur (ou algo igualmente formal) e ser “entrevistada” por um cromo de ténis, camisola de capuz, calça de ganga e barba por fazer já deve começar a fazer soar alguns alarmes…

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