O speed dating já era, venha o speed reunion

Sempre achei o conceito do “speed dating” uma cena da 5ª Dimensão mas, ao mesmo tempo, socialmente interessante. Se descontarmos o factor do aspecto físico e da halitose, o que estamos a dizer é: Num tempo mínimo e essencial, diz-me na cara porque és uma pessoa interessante ou porque é que vou querer ficar com o teu contacto para uma ocasião posterior.

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“Não, não, eu normalmente não me visto assim, mas acho que iria realçar o lado jovial da minha personalidade”

Não vamos colocar em jogo a carta “Há psicopatas muito charmosos/as à primeira conversa” e vamos assumir que é um formato a puxar pela diversão, mais do que pelo desespero de conhecer gente nova. Nesse aspecto, pode ser um evento interessante, mas a verdade é que a Internet veio porventura tornar a dinâmica “speed dating” algo menos apelativo, até porque a sua formalidade enquanto estrutura de evento também não era propriamente entusiasmante (pelo menos do meu ponto de vista).

Agora, usar esse princípio para o universo das reuniões? Tornar horas a debater no vazio, em dois minutos para dizer o que há a fazer ou o porquê de ter que rever o projecto A ou B? Tornar mestres do sapateado e do palavreado, em cientistas da palavra eficaz?

Isto é capaz de estar quase ao nível do Nobel da Pachorra 2015. Sim, eu sei que isto já se faz no pitch de ideias para captar investidores, a génese de princípios a la Shark Tank, mas o “speed reunion” aplicado à vida quotidiana do circuito nacional de reuniões?

Isso sim, era capaz de gerar amor à primeira vista.

Os princípios, os fundamentos, a conjuntura, o review, o forecast, a graxa de circunstância, as intervenções cíclicas a constar o óbvio, tudo isso era varrido para o campo do “material de suporte”, que pode ser consultado antes, depois ou nunca.

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“Atenção por favor, Graxa e Conversa de Circunstância podem ser encontradas nas pastas que serão distribuídas depois”

 

Iriam abrir ginásios para trabalhar o “poder de síntese” e, se é para julgar com base na superficialidade e no lado vago das coisas, então que o façamos no menor tempo possível, em vez de investir algo que vale tanto ou mais que dinheiro em horas e horas de mofo.

Speed Reunion, pensem nisso – 5 minutos máximo, que dez já dá margem para “Alguém quer café” e foi assim que tudo começou a dar para o torto, muito possivelmente ainda na Idade da Pedra, quando um qualquer primitivo resolveu grunhir um pouco sobre a sua caverna de férias junto ao vulcão, enquanto não começavam a debater se era melhor investirem no projecto da roda ou se o quadrado era melhor opção.

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