A teoria do xarope caseiro aplicada ao planeamento

Recebi recentemente um email de uma amiga que me falava de um xarope caseiro para combater os malefícios da tosse e da gripe. Com ingredientes acessíveis e uma preparação relativamente simples, fez-me pensar “Bem, não custa tentar, não tem vísceras de animais nem nada suspeito e estou farto de andar meio fungoso”. Até que li a parte final do email, que referia o facto do preparado dever ser feito dois meses e meio da sua primeira utilização, para assegurar um efeito mais eficaz. Certo, planear com um bom avanço, já foste.

Ninguém (pronto, ninguém como eu) prepara um xarope caseiro na eventualidade de daqui a dois meses e meio poder estar constipado. Aliás, se for preciso, estou disposto a garantir que daqui a dois meses a minha saúde estará certamente num plano que me permita correr nu pelo Jardim do Campo Grande em grande ritmo perante temperaturas de apenas um dígito.

Acho que, muito possivelmente, ao nível de pessoas capazes de olhar para uma receita destas e ir a correr reunir os ingredientes para prevenir gripes no fim de Março, teremos dois tipos:

 

  1. Gente cronicamente doente, gripistas profissionais que coleccionam todo o tipo de medicamentos e afins na busca do cocktail perfeito que possua um cruzamento único entre tradição, homeopatia, experimentalismo e o comprimido mágico.
  2. Gente (basicamente, mulheres) que usavam separadores coloridos e marcadores de vinte cores diferentes nos apontamentos escolares, com tendência para manter planeamento de dispensa ao nível dos bunkers da Guerra Fria.

 

Para muitos, planeamento é uma bonita palavra para dizer, mas pouco garantida de efectuar – diria que planeamos normalmente perante certezas (vai haver um jantar lá em casa, é preciso comprar X, vai nascer uma criança vai ser preciso Y e o Zé cortou dois dedos a fazer juliana de legumes e vai ser preciso um exemplo melhor, porque isto é impossível de planear).

Portanto, na minha cabeça, a ideia de um xarope futurista (que pode ou não resultar) a pensar em gripes vindouras não funciona.

No entanto, amigos que me estão a ler, continuem a enviar emails assim. É sinal que se preocupam comigo, nem que seja com o meu eu futuro daqui a dois meses e meio, certamente um tipo bem mais responsável e menos dado a estúpidas teorias feitas de xarope.

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Um pensamento sobre “A teoria do xarope caseiro aplicada ao planeamento

  1. Não sei por que razão estás preocupado com estas questões. Daqui a uns meses o Marty demonstra a possibilidade de viajar no tempo e, num instantinho, estaremos todos aptos a ir ao passado preparar os xaropes que forem necessários.

Tens a certeza disso que dizes?

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