Se fores à Feira Popular não leves a memória

Nos últimos anos aconteceu-me sempre o mesmo. Chega a altura do Natal, começa a animação na zona onde antes era a Feira Popular e eu, que moro relativamente perto, passo lá todos os dias a pensar que se calhar podia lá dar um salto. Depois aquilo fecha e eu digo que para o ano é que é.

E, finalmente, este ano é que foi e no último fim de semana em que o recinto está aberto, que é para tratar das coisas à portuguesa.

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Não sei bem como descrever a visita, mas creio que a tive que dividir em duas partes – a primeira foi à chegada, quando se dá o choque com a memória que tenho do recinto, das vezes todas que lá fui em miúdo e adolescente, com a família ou com amigos. E, por esse prisma, aquilo é uma sombra, uma espécie de escombro animado, onde um piso estilo pós-apocalíptico e uma ou outra ruína servem de palco para uma mão cheia de diversões que já viram melhores dias, com duas ou três barraquinhas para cumprir os requisitos mínimos de farturas, algodão doce e música literalmente de “carrinho de choque”. Não é bonito e para mim circo nem sequer faz parte da equação.

 

Mas depois, tive a noção que se era para apreciar a companhia e o momento, a memória tinha que ficar à porta. E o que mudou então?

Bem, o piso continuou a ser pós-apocalíptico, parece irreal haver só uma barraquita com farturas e é impressionante como a kizomba se integrou nos sistemas sonoros de diversões e carrosséis. Mas, caso se inspire fundo, posso dizer que no único “mais ou menos” salão de jogos existente encontrei mesas de matraquinhos como não se via há muito. E isso, meus amigos, por muita ferrugem que ainda tenha significa uma mão cheia de partidas à moda antiga com bolas de madeira no tapete verde.

É tudo uma espécie de amostra surreal mas, ao fim ao cabo, especialmente para os miúdos mais pequenos, é um tipo de divertimento que não se encontra na cidade, embora provavelmente muitos dos que lá vão, vão pela mão dos pais que vão fazer um teste às memórias que tinham da Feira Popular. Talvez um espaço diferente, criado de base algures na cidade como parque de diversões seja o que é preciso para criar memórias novas.

A Feira Popular, como foi em tempos, essa já não existe mesmo que no espaço dela ainda se avistem alguns fantasmas de diversão.

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