Uma cabeça de coelho, Prodigy e o início das coisas

Não tenho bem a noção que sempre tenha querido trabalhar na área da publicidade. Aliás, o que o meu caminho sempre me levou a considerar foram áreas em que a criatividade e a escrita pudessem conviver e, como é óbvio, nem sempre esse percurso foi linear.

Bem vistas as coisas, há uma sensação de eterno descontentamento que me diz que não vejo uma carreira nesta área como um corredor interminável, mas sim como algo cheio de portas laterais que me vão permitindo fazer e descobrir outras coisas que me dão gozo. Umas vão-me surpreendendo, outras sou eu que as vou tentando construir e, certamente, não vão faltar portas que hão de cair em cima e obrigar a mostrar ninja skills para não ficar tipo panqueca.

Mas, voltando um bocadinho atrás, se me perguntarem num dado momento, o que é que eu vi que me disse, “Olha, publicidade, sem ser a distribuir folhetos da Telepizza ou a vender faqueiros a idosos, até é capaz de ser engraçado”, a resposta pode muito bem ser isto.

Já não sei bem em que contexto me apareceu este anúncio à frente, mas é capaz de ter sido uma qualquer palestra/fórum na universidade. O senhor bem falou, mas o que eu me lembro é de no fim ter ido ter com ele e pedido para ele passar aquilo outra vez.

A narrativa potente sem ser dita uma palavra, a estética agressiva mas cuidada, Prodigy no auge dos Prodigy, o twist final e a proposta de algo (comercial) que é feita não de forma bruta mas metafórica e inteligente. E tudo isto em 1 minuto. O que há para não gostar?

É certo que o formato televisão nem é o que mais me apela em publicidade, mas a ideia de contar histórias é transversal e por algum motivo se pinta hoje em dia o conceito de storytelling como o caminho a seguir para envolver pessoas e marcas, etc e tal. Não é novidade e contar histórias (não esquecendo o propósito da concretização) sempre foi um dos propósitos da narrativa publicitária (argumentos de venda dirão alguns), o que mudam são os formatos, a ligação entre os mesmos e a eficácia que se tira do que se produz.

Para mim, para além de um trabalho, é só mais uma forma de escrever e dar vida a coisas. Nem sempre vão ser ‘obras primas’, mas se amanhã deixasse de trabalhar neste meio poderia olhar para trás e ficar satisfeito com o que tive oportunidade de fazer, antes de arranjar forma de ficar insatisfeito com tudo o que teria para fazer a seguir.

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