A maldição do Powerpoint

Acho que, seja o moderno Keynote ou o clássico Powerpoint, há gente que devia ser proibida de fazer apresentações, isto no sentido de serem elas a usar o seu ‘bom gosto’ gráfico para proceder à execução dos mesmos.

Contra mim falo, que sempre fui mais uma pessoa de letras do que de grafismo e que só por circunstâncias várias (dar aulas, apresentar trabalhos) me vejo na condição de ‘fazedor de apresentações’. Ainda assim, tento ser o mais sóbrio possível e não dar grande margem para a coisa descambar rapidamente na loucura da apresentação que parece um misto entre a Disneyland, um ataque epiléptico e daltonismo agressivo.

Nos últimos tempos calhei a ter que presenciar um conjunto de apresentações feitas por pessoas que não nasceram para aquilo e todas tinham um claro problema – a malta esforçou-se demasiado. Foram ao poço do Clipart, ao lodo do banco de imagem, ao talho do tipo de letra, à inundação de texto, aos efeitos de transição vindos da Feira Popular e de tudo um pouco, desde que seja para dificultar a tarefa.

Contudo, acima de tudo, no campeonato dos defeitos malditos do Powerpoint e da apresentação está o que me irrita mais solenemente: malta que lê de fio a pavio os slides que está a apresentar.

Malta, quem está a ver a apresentação também está a ler, não é preciso. Resumam, expliquem, inventem, façam breakdance ou strip. Façam o que quiserem mas, se estiverem à minha frente, por favor não passem a apresentação a ler em voz alta a porra dos slides que estão a apresentar.

Obrigado.

Os meus dramas sociais com o Monopólio

Li hoje que na próxima edição mundial do jogo Monopólio, Lisboa está bem posicionada na votação das 20 que vão fazer parte do jogo. Ora eu acho isso muito bem, mas tenho um problema com o Monopólio.

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O meu problema é que levo (talvez demasiado a sério) muito à regra a ideia de “Monopólio” e quando jogo, o meu objectivo é sempre divertir-me. Obviamente que, tendo por base o conceito do jogo, essa diversão atinge-se levando pessoas à bancarrota e vangloriando-me da desgraça alheia.

É certo que hoje em dia já não é um jogo que tenha muitas oportunidades de jogar, dentro do pouco tempo que tenho para os milhentos jogos de tabuleiro mais interessantes e mais complexos que existem. Mas, quando o faço, é para levar a coisa no “espírito do jogo”.

E é ai que a porca torce o rabo e se recusa a pagar a taxa de luxo quando tal lhe sai em sorte. É que as pessoas não compreendem que, para cumprir as regras do Monopólio, há que ser um crápula sem misericórdia. Tirar gozo de ver as últimas notas de alguém entregues numa renda abusiva, ter políticas de empreiteiro manhoso, aproveitar os vazios legais para fazer uma autêntica perseguição às propriedades e títulos que ainda restem à concorrência. Isto tudo sem esquecer o essencial: sentir um certo gozo ao fazê-lo.

Na minha cabeça poucos, se não nenhuns, empresários/magnatas/biltres chegam ao topo e criam monopólios com base numa personalidade charmosa e espírito condescendente. Portanto, se tiver que levar a musa dos meus sonhos à bancarrota ou extorquir os últimos cobres ao casal amigo que pensava ser competitivo, jogo é jogo. E Monopólio não se chama Centro Social de Apoio aos Maus Investimentos Imobiliários e Azar aos Dados. Quem não gosta, resta-lhe esperar que o karma me atinja e haja um cartão à minha espera para me mandar para a prisão. Ainda que eu já tenha tudo preparado para quando lá chegar poder continuar a controlar o meu império confortavelmente.

Portanto, é certo e sabido que nem toda a gente gosta de jogar Monopólio comigo e quem me acuse de ser algo competitivo e maquiavélico, coisas que prefiro entender como elogios à minha personalidade multifacetada. E, nestes joguinhos marotos, há sempre a possibilidade de se tentarem desforrar escolhendo o Pictionary e apostando na minha parca capacidade de desenho. Esquecem-se eles que Van Gogh também foi um incompreendido e, em vida, só vendeu um quadro e foi a um membro da família.

Uma dose de 7 minutos de comboio faz bem

Andar de comboio dentro da cidade é bom quando não é obrigatório. Digo eu, que antes de ontem a última vez que tinha andado num comboio foi quando levei as minhas pernas a passear do Porto até Lisboa depois da maratona.

Não sei se há uma dose recomendável, a minha foi de sete minutos. Benfica-Entrecampos, sem tiroteio, sem mitras (tirando eu e já sou quase um mitra respeitável) e com todo o conforto de utente de passe que sabe tirar partido dos recursos à sua disposição.

Pouca gente na estação, pouco cenário de filme em estação de comboios. Por um lado é bom, por outro lixa-me um bocado o imaginário de utilizador pouco frequente de comboios que pensa sempre que algo está para acontecer.

Vem lá o comboio, entra-se e traz carga pouco volumosa – apenas algumas pessoas mascaradas de cansados ao fim do dia e dois revisores mascarados de passageiros, pela forma como se esticam sentados nas cadeiras.

A viagem não é mítica, nem tive nenhuma epifania para mudar a vida – são apenas retratos escuros em forma de porta de carruagem que vou tirando à cidade que passa. Ainda assim é simpática a jornada, não a senhora que quase me empurra para sair primeiro que eu e ficar a falar ao telemóvel parada na plataforma, cerca de dois metros mais à frente.

Sim, é uma história sobre coisa nenhuma, mas daquelas coisas nenhumas que não me acontecem todos os dias, como por exemplo, apanhar o comboio ou vacinar-me contra a febre amarela, coisa que não fiz ontem e não está relacionada com o ponto essencial da história, mas é importante para quebrar toda e qualquer coerência na conclusão.

Telegramas dos Óscares 2015

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Doogie Howser “Barney” MD – Não vi o total da tua performance mas, do que vi e do que li, a coisa não te saiu em pleno. A culpa pode ser de quem te escreveu as piadas, já que ao nível de canto e dança, os teus skills de Broadway cumpriram em pleno.

Houve uma senhora no E!, na parte da carpete vermelha, que tinha um vestido vermelho e, no background, estava um ramos de flores da mesma cor que parecia um acrescento. Não percebo um boi de moda, mas achei divertido. A filha do Ozzy Osbourne comenta moda e isso não é novidade, é só estranho.

A minha teoria do deficiente/doente/desadaptado vencedor de Óscar continua a valer em grande: mais dois este ano, o Hawkins e a senhora do Alzheimer.

A Oprah está grande.

Ainda me lembro quando o Redmaine era carpinteiro nos Pilares da Terra. É mais uma história de carpinteiros famosos que se superam para surpreender o mundo. Esperemos que não o venham a crucificar como fizeram a Jesus.

A Patricia Arquette em tempos foi um canhão. Agora limpa Óscares e tem discursos activistas de valor. Será que ela previu isto quando era Medium?

Gostei do momento cómico com a outra jovem e o Travolta, que se tinha baralhado o nome dela em tempos. Mas o Travolta estava ligeiramente creepy.

Plantar uma árvore ou cannabis? Dúvidas nos objectivos de vida

Toda a gente conhece os clássicos objectivos de vida: ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Correr uma maratona de costas enquanto se faz malabarismo ainda não está na lista, mas parece-me algo que deixa uma pessoa a sentir-se realizada.

Posso dizer, com relativa confiança, que os dois primeiros objectivos da lista não me assustam e são coisas que assumo como realizáveis. A questão da árvore e sua respectiva plantação é que me deixa algo inquieto.

Plantar uma árvore hoje em dia já não é tão simbólico como já foi, há empresas que usam esse truque para fingir que são ecológicas e tudo. A par disso, os entusiastas das hortas biológicas e dos canteiros hipster de ervas aromáticas riem-se da minha cara se lhes disser que pretendo plantar uma árvore.

Debatia-me com esta questão, quando vi este gráfico:

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E aí a minha perspectiva mudou e fiquei na dúvida: ter um filho acarreta despesas, escrever um livro já se sabe que não dá dinheiro a ninguém e se o universo não se alinhar como é suposto acabas a bancar uma edição de autor que até apita. Como tal, entre objectivos de vida, como é possível tirar lucro do “plantar uma árvore”? (a criancinha trará os benefícios emocionais, o livro os benefícios do ego)

Será “plantar um km2 de cannabis” a solução? Ou, vá lá, 5 metros quadrados?(vamos deixar a coca de parte, que isso por norma acarreta um grupo de gente com vontade de te matar pelo caminho) (e vamos também deixar as papoilas do ópio, porque papoilas já é uma coisa muito próxima de concursos florais e isso não deve ser objectivo de vida para ninguém).

Vou tentar reunir opiniões ou, quem sabe, um grupo de agricultores urbanos com vontade de realizar objectivos de vida diferentes.

Regras da sociedade em dias de baile

Chegou-me às vistas um belo regulamento que, apesar do que se possa dizer sobre a mudança dos tempos, é uma coisa a sério e que me leva a pensar sobre o que se pode ou não regulamentar nos dias de hoje:

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Embora a transcrição do regulamento, por si só, chegasse – há aqui um conjunto de observações a ter em conta:

– Como é possível, alguma vez na vida, juntar mulheres em ambiente descontraído num grupo e pedir-lhes para não falarem alto? E gajas a dançar juntas, que cena do demo é essa?

– Como é possível juntar um grupo de gajos, em ambiente descontraído, e esperar que não digam palavras obscenas?

– Como se analisa um grupo de gajos de fato a tentar brincar juntos num baile?

– Havia de nevar no inverno antes de eu ir bailar para algum lado sem levar o meu varapau.

– Também se podia pedir, nas novelas portuguesas, para as senhoras e a criadagem não usarem aventais. Parece que é mandatório para exemplificar determinado tipo de trabalhos.

– “Decentemente vestidas” – o que é isso?

– Que tipo de porteiros / seguranças teriam estas sociedades para acabar com o caos de crianças pequenas a correr pela sala, mulheres de lenço na cabeça e tipos de varapau em punho, fumando cigarros e desrespeitando as damas? Seriam discípulos de Zorro, talvez?

O corredor solitário e o grupo que foi com ele ao Guincho

Não tenho uma filosofia muito definida acerca da corrida em termos de ser um acto solitário ou não. Da minha experiência pessoal acho que por norma sou solitário por conveniência, no sentido em que para treinar o que quero / quando quero já aprendi que não podes (não deves) ficar dependente de ninguém. Sei também que às vezes não há nada melhor que uma corrida a solo para pensar em tudo ou não pensar em nada, consoante o que nos for na alma.

Isso não quer dizer que fuja de grupos, de amigos ou de circunstância em que o acto solitário pode ser substituído e bem por uma experiência partilhada. Acho sinceramente que, mais do que filosofar, interessa viver a ocasião consoante o que nos dá na mona.

E este domingo deu-me na mona seguir de perto um dos pacers nos 20 Kms de Cascais, uma das poucas provas das quais tenho sido cliente habitual nos últimos anos. Entre o percurso, a vista do Guincho e arredores, a possibilidade de rolar mais ou menos sem problemas e o clima, acho que nem o facto da edição do ano passado ter tido 1km a mais do que era suposto me fez pensar em não ir este ano.

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Só que, apesar de muitas vezes ir com amigos, quando se dá o tiro de partida, a maior parte das vezes cada qual vai ao seu ritmo e sendo uma prova relativamente rápida de percurso fácil (ao contrário de um trail ou maratona) muitas vezes te vês mais “emparelhado” pelas circunstâncias da prova do que por combinações à partida.

Desta vez fui sozinho e decidi experimentar o contrário, ir em grupo, pois quando se vai junto a um pacer é tipo aqueles bandos de pássaros que seguem coladinhos a um hipopótamo (ok, não é bonito chamar hipopótamo a um pacer, mas também não me quis chamar abutre ou coisa parecida).

A ideia era fazer metade da prova, possivelmente até à viragem no Guincho, a um pace ligeiramente mais lento que o meu habitual em prova e depois gastar o gasóleo na segunda metade até ao fim. Fruto do “convívio” e da facilidade do ritmo, sem ter ficado a saber o nome de ninguém ou ter saído dali com amigos para a vida acabei por fazer três quartos da prova naquele grupo e só no fim acelerei um pouco. Ouviram-se histórias de quem há 20 anos (e 20kgs atrás) fazia menos de 1h10m, partilhou-se água entre quem não sacou no abastecimento, falavam-se de planos para quem ia fazer a maratona de Sevilha para a semana ou, simplesmente, ficava um “Força” ou palavras de incentivo para quem quebra na segunda metade e se tenta “agarrar” ao pacer como salvação.

Não fui eu que falei, não fui eu que puxei pelo grupo, mas não foi por isso que me deixei de sentir parte dele. Desejei-lhes boa sorte quando arranquei para os últimos 4/5kms fiquei surpreendido pela “poupança de energia” que a boleia me tinha proporcionado.

Ontem, deixar o fato de corredor solitário em casa fez todo o sentido e a participação num grupo anónimo espontâneo foi o complemento ideal para a prova em si.

Amanhã? Logo se vê.

Programas de estágio em exorcismos

Foi já há alguns dias que vi este vídeo, referente ao ‘Campus’ do INOV Contacto, um programa de estágios internacionais com o apoio do Governo de Portugal.

Para já, vamos dar completamente de borla a sua origem e a frase que o enquadra, pois se procurarmos lógica e bom senso num perfil de Facebook chamado Bocage 2.0, então a nossa gestão de expectativas está a precisar de ir à revisão.

Contudo, preocupa-me as estratégias de motivação / exercícios bacocos de integração que parecem saídos da Corrente da Possessão Demoníaca do Pastor Jurandir. Além disso, poderosas rimas como ‘Eu sou estagiário e o meu nome é Ernesto….´ ou ‘Puseram-me no espeto…’ (acompanhado de coreografia de espeto rotativo), ficam ali a meio passo da alucinação colectiva, ao que também não ajuda o tipo tresloucado que, com a fralda de fora, tenta exorcizar um demónio que se esconde algures na sala.

Conheço algumas pessoas que já participaram no programa mas, ou isto é novidade, ou nunca me contaram sobre estes rituais. Não sou apologista de cerimónias formais cinzentonas e paradas no tempo, mas isto parece-me despropositado. E se se lembram de instituir Campus do género para o subsídio de desemprego? Ou nos Centros de Pensões? Queres dinheirinho e emprego? Dança a macarena e diverte-te com a malta.

Alguém precisa urgentemente de rever o programa do Programa. Caso contrário temo pelas pessoas que estamos a mandar lá para fora.

Visto de um campo de basket, o futuro de Monsanto ainda é verde?

Monsanto é um espaço privilegiado de Lisboa e pena será se só dermos por isso quando começarem a fatiá-lo estilo presunto. E, com as últimas notícias de planos e licenças atribuídas para iniciativas turísticas promovidas em concursos ligeiramente sombrios que, entre outras coisas, têm prevista a demolição de um dos poucos campos de basket de livre acesso em Lisboa, a preocupação é mais do que compreensível.

Nem sempre foi assim, lembro-me de ser miúdo e Monsanto ser uma zona meio sombria, em que espaços como o Parque do Alvito ou os campos de ténis eram uma ilha e, entre prostituição e outro tipo de actividades ‘esquisitas’, Monsanto era apenas um atalho arborizado que as pessoas usavam para ir de um lado para o outro da cidade e tentar escapar ao trânsito.

É certo que a vertente de fuga ao trânsito ainda existe mas a envolvência mudou completamente. Hoje em dia, para os lisboetas Monsanto é um destino recorrente para um conjunto de actividades de lazer que vão desde correr, andar de bicicleta, passear cães ou utilizar algumas das instalações que se mantiveram e que já referi, para além de outras como o Skate Park e o assunto que me levou a escrever isto – três pequenos campos de basket junto a um parque de merendas.

No link que partilhei, fala-se de um plano que inclui um conjunto de unidades hoteleiras, incluindo algumas de ‘cariz bucólico’, nomeadamente naquela que era a residência oficial do Presidente da CML e que ainda há poucos anos teve direito a investimento de requalificação. O concurso público, que só teve um participante, inclui ainda o direito a vedar/requalificar a área onde agora existem estes campos.

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E para fazer o quê? Segundo o previsto, alguma coisa estilo um espaço para eventos onde poderá ser colocada uma tenda em lona…

Três campos de basket podem parecer uma ninharia para quem ligue pevas à modalidade mas, para além do espaço familiar envolvente, campos de basket de acesso livre são escassos em Lisboa e estes são daqueles que são usados com frequência. Aliás, mais utilização teriam se tivesse suporte de iluminação, já que isso é um factor condicionante (a localização pode ser obstáculo para quem se desloca a pé, mas isso é como tudo em Monsanto).

Ao longo dos anos tive oportunidade de jogar inúmeras vezes nesses campos e se há coisa que é interessante de ver é que o tipo de utente prova a transversalidade do espaço. Vi gente que joga a fazer quase mini-torneios não oficiais, vi gente que só queria tirar alguma ferrugem e fazer uns lançamentos, vi miúdos de todos os tamanhos e jeitinho para a coisa e vi gente mais velha – Some-se a isto tudo o facto de que este é um espaço de promoção a uma das modalidades que mais precisa de alargar bases de praticantes e a ideia simples que basta uma pessoa e uma bola para uma tabela já estar a ser bem aproveitada.

Existem na cidade poucos suportes para a prática da modalidade ao ar livre e os poucos que subsistem (ex: 2 tabelas no Estádio Universitário, 2 no Parque de Jogos 1º de Maio) devem-no à sua localização e enquadramento semi-privado. Aqui e ali, como em Telheiras, nas traseiras da Avenida de Roma ou em tempos no Jardim do Campo Grande, há/houve uma ou outra tabela, mas são espaços perdidos que servem os habitantes locais e cujo o equipamento não raras vezes é danificado (e aí só se pode culpar quem usa e não preserva).

Mas, em Monsanto, o espaço do Penedo sempre foi subsistindo, com os seus players de todos os tipos. Era bom ver mais campos assim, em locais de circulação da população em tempos de lazer, como Belém, Expo, Jardim do Campo Grande e/ou outros jardins, mas o cenário não é esse nem se prevê que venha a ser. Aliás, decisões destas, baseadas em critérios económicos e do piscar de olhos à bruta para o turismo (há estudos de viabilidade? É possível criar um investimento brutal numa zona verde sem ter o impacto devidamente avaliado?), são apenas um alerta para quem as testemunha: podemos abrir os olhos agora ou ficar depois a olhar para o que já não volta atrás.

Não sei as respostas para algumas das perguntas sobre o futuro de Monsanto, mas creio que este é apenas o princípio. Faz-me confusão o final de um equipamento raro e acarinhado por tanta gente, sem que se preveja algo do género: ‘Sim, vamos tirar estes campos mas há planos para fazer novos campos aqui e ali” mas, acima de tudo faz-me confusão que se esteja a começar a explorar uma zona verde de uma forma que pode alienar os que, pelo seu uso e frequência, a ajudaram a ser hoje muito mais apetecível do que antes foi. Os habitantes de Lisboa.

Por isso, não sei se o futuro de Monsanto será ou não verde. Preocupa-me primeiro que possa vir a não ter futuro e essa é uma das razões que me levaram a subscrever uma petição que já circula relativamente, numa primeira instância, à preservação dos Campos de Basket de Monsanto mas que é verdadeiramente sobre muito mais que isso.