Ser guionista de novelas no Centro de Saúde

Encaro sempre as visitas ao centro de saúde como um bom ponto de partida para uma história qualquer, criada por guionista pago em genéricos. Na verdade, nem tem a ver com o facto de entrar lá a precisar de medicação ou de ainda nunca ter chegado o dia em que encontro lá um anão estilo filmes do David Lynch, para sentir que o surrealismo tem mesmo uma dimensão séria por aquelas bandas.

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Numa perspectiva de narrativa, o ritmo aqui é mais lento, mais porventura ao género de novela, ao passo que os hospitais têm o ritmo mais rápido (tirando no atendimento), mais próximo do cinema. No Centro de Saúde as personagens conhecem-se, desenvolvem-se relações, ódios que se acumulam e enredos que se repetem.

Por exemplo, ontem tive que ir ao Centro de Saúde e felizmente não foi por minha causa, o que me dá a vantagem de ter os poderes de observação mais activos, em vez de me estar só a lamentar das minhas maleitas enquanto dou um show de tosse e fluídos corporais.

Assim sendo, em apenas uma hora e picos, eis sete enredos clássicos de centro de saúde que presenciei e descrevo agora em versão tweet:

 

‘O paciente que sabia demais’ – Episódio em que há sempre alguém no centro que sabe mais do que toda a gente sobre assuntos diversos, incluindo vida dos médicos e doenças.

‘Grunho, o funcionário mal disposto’ – Uma senhora com carro de bebé pergunta a direcção do gabinete X. O funcionário diz que só está ali a tirar fotocópias, não pode responder.

‘A espera impossível’ – Senhora diz, ao longo de 1h30m que não pode esperar. Repete isso sempre que a porta do médico se abre. Metade da sala reza pela sua saída.

‘É só uma coisinha’ – Idoso ignora procedimentos e tenta fazer várias perguntinhas à médica. Esta não cede aos diminutivos, idoso culpa-a pelo estado do país.

‘O médico invisível’ – Médico tenta passar várias vezes pela sala de espera sem ser visto ou em modo invisível. Quando isso não resulta, finge-se apenas de surdo.

‘A revolta na sala de espera’ – Começa por um mini protesto de uma pessoa, juntam-se indignações de várias e de repente temos um comício de doenças e revolta. 

‘A criança que insistia em ser criança’ – Adultos levam uma criança que se limita a ser criança sem entrar no patamar duende selvagem. Pais acusam-na de ser criança.

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