O corredor solitário e o grupo que foi com ele ao Guincho

Não tenho uma filosofia muito definida acerca da corrida em termos de ser um acto solitário ou não. Da minha experiência pessoal acho que por norma sou solitário por conveniência, no sentido em que para treinar o que quero / quando quero já aprendi que não podes (não deves) ficar dependente de ninguém. Sei também que às vezes não há nada melhor que uma corrida a solo para pensar em tudo ou não pensar em nada, consoante o que nos for na alma.

Isso não quer dizer que fuja de grupos, de amigos ou de circunstância em que o acto solitário pode ser substituído e bem por uma experiência partilhada. Acho sinceramente que, mais do que filosofar, interessa viver a ocasião consoante o que nos dá na mona.

E este domingo deu-me na mona seguir de perto um dos pacers nos 20 Kms de Cascais, uma das poucas provas das quais tenho sido cliente habitual nos últimos anos. Entre o percurso, a vista do Guincho e arredores, a possibilidade de rolar mais ou menos sem problemas e o clima, acho que nem o facto da edição do ano passado ter tido 1km a mais do que era suposto me fez pensar em não ir este ano.

20Kms Cascais3 2015

 

Só que, apesar de muitas vezes ir com amigos, quando se dá o tiro de partida, a maior parte das vezes cada qual vai ao seu ritmo e sendo uma prova relativamente rápida de percurso fácil (ao contrário de um trail ou maratona) muitas vezes te vês mais “emparelhado” pelas circunstâncias da prova do que por combinações à partida.

Desta vez fui sozinho e decidi experimentar o contrário, ir em grupo, pois quando se vai junto a um pacer é tipo aqueles bandos de pássaros que seguem coladinhos a um hipopótamo (ok, não é bonito chamar hipopótamo a um pacer, mas também não me quis chamar abutre ou coisa parecida).

A ideia era fazer metade da prova, possivelmente até à viragem no Guincho, a um pace ligeiramente mais lento que o meu habitual em prova e depois gastar o gasóleo na segunda metade até ao fim. Fruto do “convívio” e da facilidade do ritmo, sem ter ficado a saber o nome de ninguém ou ter saído dali com amigos para a vida acabei por fazer três quartos da prova naquele grupo e só no fim acelerei um pouco. Ouviram-se histórias de quem há 20 anos (e 20kgs atrás) fazia menos de 1h10m, partilhou-se água entre quem não sacou no abastecimento, falavam-se de planos para quem ia fazer a maratona de Sevilha para a semana ou, simplesmente, ficava um “Força” ou palavras de incentivo para quem quebra na segunda metade e se tenta “agarrar” ao pacer como salvação.

Não fui eu que falei, não fui eu que puxei pelo grupo, mas não foi por isso que me deixei de sentir parte dele. Desejei-lhes boa sorte quando arranquei para os últimos 4/5kms fiquei surpreendido pela “poupança de energia” que a boleia me tinha proporcionado.

Ontem, deixar o fato de corredor solitário em casa fez todo o sentido e a participação num grupo anónimo espontâneo foi o complemento ideal para a prova em si.

Amanhã? Logo se vê.

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3 pensamentos sobre “O corredor solitário e o grupo que foi com ele ao Guincho

    • Se isso de “acrescentar alguma coisa” fosse mandatório provavelmente este blog não tinha licença de emissão 🙂

      E estamos de acordo na premissa, portanto a questão é: pouco a pouco a gralha já volta a palmilhar kms por aí algures?
      (nem vou questionar sobre a intermitência blogosférica, que isso fica para outros posts que pouco ou nada acrescentem 😉 )

Tens a certeza disso que dizes?

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