As imensuráveis certezas do ser

Vivemos cada vez mais rodeados por um mundo de estatísticas, métricas e dados comprováveis à distância de um ou dois cliques. As discussões acabam na barra do Google, as discussões começam no fact check de uma qualquer rede social ou soundbyte gravado algures e imortalizado para sempre no oceano profundo da Internet.

Não é possível viver distanciado desta realidade, a necessidade de referências e verificação do que nos rodeia é algo crescente e cada vez mais facilitado, mas será que não nos devemos por vezes alhear disso, nem que seja porque nem sempre seguir cegamente os números é, por si só, uma garantia de sucesso?

 

57% das relações que acabam no primeiro ano devem-no ao facto de um dos parceiros não conseguir lidar com momentos negativos.

38% das crianças que não comem legumes têm uma maior propensão para cometer furtos na adolescência.

84% das pessoas prefere ter bom ambiente no trabalho a um ordenado ligeiramente superior.

29% dos corredores amadores criam uma noção de superioridade em relação a amigos sedentários.

 

Será que isto é assim ou fui eu que acabei de inventar um lote estatístico em várias áreas em que a nossa imprevisibilidade mina constantemente quaisquer estatísticas que surjam? E, no entanto, criamos constantemente patamares comparativos de coisas que não são mensuráveis pelo facto de não haverem duas pessoas iguais, ainda que juremos que há uns que são exactamente iguais aos outros.

Quando se procuram certezas onde elas não existem, a coisa passa a ser fé. E aí, a dúvida que surja pode passar por tentar saber se em 60% das vezes, ter fé funciona sempre.

E, para que não se tome isto tudo por demasiado sério, eis um exemplo estatístico que tira qualquer seriedade ao assunto.

 

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4 pensamentos sobre “As imensuráveis certezas do ser

    • Yep, a nossa noção de imprevisibilidade é de facto superior à realidade. É como a tendência para romancear a infância face à realidade do que se passou.

      No entanto, creio que a necessidade de tornar certas coisas previsíveis ou procurar a certeza em números às vezes deriva em alucinação (até compreendo em determinados meios profissionais, em que a mensurabilidade se sobrepõe a muita teoria mas, fora disso…)

      Mas, bem vistas as coisas, não tenho números que comprovem isto 😉

  1. Estou preocupada com essa parte dos vegetais? Isso vale só para os putos de agora ou também se aplica a atuais adultos não comedores de vegetais? E até que idade ataca? Ando com uns impulsos criminosos estranhos… Talvez seja disso.

Tens a certeza disso que dizes?

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