Esta é uma odisseia de verdades cravada de mentiras

Esta odisseia começa em 1983, quando eu nasci. Ou terá sido em 1977? Chegado a este ponto, começo a ficar na dúvida se não terá sido em 1980, para ficarmos a meio.

E para esta odisseia ter significado, o melhor será dizer que fui criado num meio pequeno, mas no seio de uma grande família. Por outro lado, ser uma criança urbana, numa família que teve que lidar com um divórcio talvez seja traga um apelo maior em termos carácter. Senti a tentação de dizer que sou vítima da orfandade, mas senti o ar reprovador da minha mãe algures.

Crescer num bairro tradicional numa cidade grande, traz amigos e história para uma vida que se quer odisseia. Mas lidar com os dramas de um colégio interno também não é coisa de se deitar fora. Então e a universidade das ruas, onde tanta gente aprende tanto, nomeadamente ao nível de habilitações académicas hardcore para colocar no Facebook?

Fico na dúvida sobre se sempre segui o que quis seguir em termos de estudos, para mostrar um rumo definido que se sobrepõe às contrariedades que o destino nos vai atirando para cima ou se terei sido vítima de um pai tirano que me quis colocar na senda da sua carreira de renome apenas para me ver a dar o grito do Ipiranga e correr na direcção oposta. Talvez esta dúvida não se pusesse se, de facto, afinal de contas ter começado a trabalhar demasiado cedo para perceber o que quer que seja disso de rumos e escolhas.

Mas, felizmente, depois de uma carreira de sucesso num desporto obscuro posso dizer que hoje em dia trabalho com as mãos como sempre quis, mas de forma diferente. Isto em sonhos, já que na realidade sou uma espécie de faz tudo sem rumo e que decido o meu rumo como quem lança uma moeda ao ar e não se preocupa em saber se saiu cara ou coroa. Pelo menos até me deixar de truques com moeda e explorar a minha criatividade de forma (quase) sempre legal e que não acarreta penas de prisão, apesar de possíveis enganos.

Ainda não vou no preâmbulo desta odisseia e já vi que isto é coisa para dar trabalho e tirar tempo. Talvez seja melhor aproveitar o dia de hoje apenas pelo que é – um dia em que o meu eu verdadeiro e o meu eu mentiroso vão beber um café enquanto outro eu qualquer fica aqui a escrever umas linhas.

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