A banalização da urgência

Já não sou do tempo do auge deste tipo de rock. Mas, misteriosos são os caminhos das merdas que por vezes não vêm parar aos ouvidos. E hoje tenho andado com este tema na cabeça:

E, mais do que o facto do baterista aparecer à frente do vocalista em vários planos, as roupinhas da malta ou o bigode lustroso do saxofonista (kudos para bandas de rock com saxofonistas), há uma palavra que se destaca – URGENTE. Que se repete e repete e repete.

Tudo bem que aqui se fala de urgências do amor e da paixão mas, deixando o papel de bombeiro amoroso na prateleira, posso dizer que vivo (vivemos?) numa era em que qualquer ocupação profissional tem mais urgências que muitos hospitais com serviço homónimo.

Chego ao trabalho há duas urgências à espera. No email, rapidamente a palavra “Urgente” se junta ao famoso ASAP. Interrompe-se para uma reunião urgente devido a uma urgência imprevista de um cliente com necessidade de sentir que é urgente.

Sais da reunião, apanham-te no corredor para falar de uma urgência e, assim que acabares, alguém te faz sinal para ligares para o “móvel”, que é urgente.

Entretanto, ainda não almoçaste e já te estás bem a ralar para as urgências, até porque se tudo é urgente, então nada é urgente. É a lógica de ler um texto em que tudo está sublinhado, em caixa alta ou a negrito. Passa tudo a ser irrelevante, apesar de prioritário.

 

Não tendo argumentos para definir prioridades, criam-se rótulos. É urgente rever isto mas, pelos vistos, agora não há tempo. Há outras urgências na calha.

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