Gerações há muitas, seus palermas

Conversa com uma jovem dez anos mais nova que eu, com a qual tenho alguma confiança, sem no entanto sermos amigos do coração.

Conversa tranquila, com vários assuntos à mistura, incluindo escolhas de vida, relações, maturidade, discussões e a estupidez natural das pessoas.

Várias vezes, durante a conversa, ela menciona que na geração dela isto e na minha geração aquilo. Torço o nariz, mas não digo nada, apesar de achar que em certos patamares o generation gap é mais uma questão mental do que etária.

No final da conversa, junto à esquina das despedidas, pergunto-lhe eu:

‘Então mas tu achas que se já existissem tantas diferenças entre o que dizes ser a tua geração e a minha, tínhamos estado este tempo todo à conversa a chegar à conclusão que as pessoas cometem os mesmos erros, têm as mesmas dúvidas e acabam por procurar um terreno comum que é um pouco independente da idade, mas mais numa forma de ver a vida?’

Responde-me ela:

‘Então e achas que se fôssemos da mesma geração, uma conversa com essas conclusões seria posssível?’

 

E para além das despedidas, nessa esquina ficou também a dúvida.

O problema das revistas de gajas agasalhadas

Esta é a capa da nova/nova/nova (dependendo da versão) Playboy portuguesa.

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Vou dar de borla a relevância (ou não) da jovem em destaque, da piada fácil com Kapinha e da maior curiosidade para mim, que é ver quem arranjaram eles para falar da NBA e se é só mercado da nostalgia ou não.

A minha questão é sempre: vivemos num país com cabedal moral para aguentar uma revista (como deve de ser) em que a exposição do corpo feminino é mais do que sugestão e segue os princípios da casa mãe ou os pressupostos morais e a consequência negativa desse facto são superiores? Se o caso é assente na segunda parte, então não fiquemos a bombar na semântica, limitemos a coisa ao universo das GQ’s e afins, em que temos modelos em poses sexy e a nudez não faz parte da equação

Já tivemos versões anteriores e foram sempre dar ao mesmo: não há cachet para convencer senhoras com ‘nome’ para fazer parte do elenco, as produções fotográficas são pobrezinhas e baseadas sempre nos mesmos clichés. Se ainda consegues ter alguém com um mínimo de nome na praça (Ritas Pereiras da vida e afins), essa pessoa só faz fotos de silhueta, o golpe da mãozinha a cobrir a nudez e o sexy é sinónimo de ver gente a morder os lábios junto a uma piscina.

Isso pode ter muito glamour, ser até interessante para algum público, mas não é Playboy. E se não é Playboy, usar esse nome é só tornar tudo ainda muito mais deprimente. Porque depois ninguém compra, a rentabilidade vai por aí abaixo, o plafond desce e temos mulheres (a beleza e classe das quais impactará sempre o que se pode esperar do projecto) das quais nunca ouvimos falar a fazer uma versão ‘martelada’ e insípida de algo que é apenas uma referência nominal.

Nem se trata de indignação ou rebarba trazida pelo calor, assim como também não sei se no Portugal de hoje uma revista destas ainda faz sentido. Trata-se apenas de ver que se insistem em projectos em que nada é sustentado e se tenta que as coisas vinguem sem olhar para os erros que foram cometidos do ponto de vista estratégico em edições anteriores. É que, assim como assim, as fragilidades estão a nu, as mulheres não.

 

Bricolage – 0 Letras – 1

Não raras vezes a minha mãe solicita o meu arcaboiço, registado em cerca de 1,85m, para um conjunto de favores/pedidos/tarefas e arranjos domésticos que envolvem por norma acartar, arrastar, pendurar ou transportar algo para o qual, segundo ela, ‘tenho bom corpinho’.

Frequentemente a minha irmã pede-me ajuda para resolver problemas de software e hardware. Felizmente, nunca para situações de underwear.

Lá em casa, sou regularmente confrontado com alguma inépcia da minha parte ao nível de instalações eléctricas, dotes de jardinagem, isolamento e revestimentos, entre outros.

 

Eu sou o tipo que esteve prestes a chumbar a Educação Visual por preferir fazer banda desenhada abstracto-satírica em vez de formas geométricas. Eu sou o tipo que deu muito bom uso às ferramentas de Técnicas Oficinais, usando-as para rebentar um cadeado e abrir um armário onde ‘pedi emprestado’ um candeeiro já feito no ano lectivo anterior, ao invés de completar o meu. Eu sou o tipo cujo projecto de Olaria se chamou “Os Cacos”, uma obra que resultou de andar a partir peças antigas com uma tábua nas traseiras da escola (ainda bem que sempre fui bom a atribuir conceitos e significados às coisas).

Eu não sou o tipo a quem deves pedir obras de bricolage, cenas de biscateiro ou de moderno handyman. Sou aquele a quem, à falta de melhor, podes pedir para rever cartas de candidatura, fazer frases para ganhares passatempos, suavizar emails raivosos em situações oficiais e privadas, desenvolver processos de naming, gerar headlines, construir spots e a quem podes reclamar, se alucinares um pouco, pelo facto de já dever ter escrito algo mais desenvolvido que contos, sketches ou guiões.

A minha bricolage é com letras e, se um dia conseguir, hei-de pendurar um quadro com esta frase.

A febre do cálcio

Isto não se trata uma apologia ao futebol italiano, mas sim de uma interrogação – desde quando é que os problemas com o cálcio e a osteoporose voltaram a estar na moda? Os complexos vitamínicos e as cenas para o colesterol que se cuidem, o ataque do cálcio aos velhinhos está de volta e as televisões portuguesas estão cá para ajudar.

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Calhei a ver um bocadinho de televisão nas últimas manhãs e os meus ossos tremeram com tanta mensagem de alerta para o cálcio que me pode faltar na velhice – ele era a Vanessa Oliveira (na versão em que envelheceu 10 anos em 2 anos) e uma amiga sorrindo a favor de umas cápsulas, ele era o Júlio Isidro também a rezar pela saúde das ossadas dos idosos e ele eram mais uma ou duas tipas jovens e disponíveis segurando de forma muito natural e nada forçada uma bela caixa de cápsulas enquanto nos contam como é aquilo nos vai aliviar a carteira e as costas.

Sendo honesto, não me surpreende nada ver publicidade crápula a tentar encher a cabeça dos velhinhos que muitas vezes têm na televisão a última ‘pessoa’ que se preocupa com eles e lhes dá conselhos (ou que faz muito bem esse papel).

Mas por favor, poupem-nos a entrar em campanhas de testemunhos em que cospem textos que mal percebem a dizer que sim, que eles usam e que se ontem as dores nos ossos nem os deixavam endireitar as costas, duas caixas de comprimidos mais tarde já estão a dar mortais empranchados. É que depois a coisa passa da tristeza à caricatura, como o caso deste amigo:

Ponham a gaja da permanente loira e do tarot a vender comprimidos, usem as pseudo-boazonas de sorriso fácil a dizer que aquilo é fantástico e reciclem as ‘estrelas’ do firmamento televisivo que precisam de uns cobres para sobreviver a uma reforma difícil. Mas deixem os velhinhos fora das figuras tristes dos testemunhos – se os vão enganar, ao menos que nãos os usem contra eles próprios.

FDS, FDX, FDC e outras formas de resumir um fim de semana

a) Ir a um casamento com uma grávida é uma nova forma de analisar casamentos do ponto de vista sociológico. Um gajo torna-se mais invisível e pode estar em modo furtivo, mas não é conveniente desfrutar desses poderes em pleno, pois o álcool e formas estranhas de dançar retiram-te esses poderes. Tens um mega-voucher para zarpar mal te apeteça. Ainda assim, continua a ser lícito gerires um spot ilegal de apostas sobre a primeira pessoa a dar sinais de estar visivelmente entornada e na primeira vítima daquela longa e prolongada conversa que alguém vai achar por bem ter, algures entre a refeição e a história do bolo.

b) O Belenenses assegurou o último lugar que dá acesso à pré-eliminatória da Liga Europa. Numa só frase assegurei o desinteresse de quem não liga a futebol e o paternalismo de quem considera o Belém um ‘clube simpático’. Ainda assim, desprezando essa história da simpatia, é sinal de satisfação para quem não segue o prisma dos ‘grandes’.

c) Mesmo que seja em casa de calções, ao fresco e com boa música, teres que corrigir coisas de trabalho nunca é um bom bálsamo dominical. O teu critério fica mais apertado, a tolerância reduz-se e ficas ligeiramente azedo a pensar que as pessoas para quem estás a trabalhar, por aquela altura devem estar algures numa praia e tu estás ali.

d) Depois de te fartares de simplesmente ‘estar ali’, resolves que duas horas a fazer sobe e desce em Monsanto é uma boa forma de garantir o balanço do teu universo. Nessa ânsia zen esqueces-te que consumiste algum álcool no dia anterior, que dormiste pouco, comeste bastante e que o facto de teres estado abancado o dia todo não são factores que melhorem performances. Em menos de meia hora suas que nem um porco, dizes que está mais calor do que o normal, que inclinaram Monsanto mais do que é normal e que estás a beber líquidos mais do que o normal. Sobes a dizer palavrões, desces a dizer palavrões, nem que seja por antecipares novas subidas, que nem são nada de especial noutros dias. Odeias gente que se senta à fresca em lautos piqueniques e que olha para ti como se o teu ar tresloucado fosse alguma vez sinal de que és maluco. Só te sentes bem quando vês um tipo de bicicleta em pior estado que tu – um alerta para um aumento elevado nos índices de mesquinhez. Curiosamente, no final disto tudo, sentes-te melhor.

 

Não chego ao final do fim de semana amargurado, como poderia? Estes dias servem para ser feitos de histórias diferentes das do resto da semana. Missão cumprida, acho eu, pelo menos até ao próximo.

 

O satélite de Shaolin

Lembro-me muito bem da primeira vez que o ouvi. Estava em Alcântara, junto ao que é agora o Centro de Congressos e fui apanhar boleia de um amigo. Entrei no carro e lá estava ele a dar, o Shaolin Satellite, dos Thievery Corporation.

O carro não era assim tão moderno, portanto aquilo era uma cassete e, depois de perguntar quem eram aqueles tipos, pedi-lhe para rebobinar a dita cuja. Ele não tinha o início do álbum (Sounds from the Thievery Hi-Fi), mas a conjugação dos dois primeiros temas (o 2001: Spiff Odissey e este) caiu-me logo no goto. Como são extensos, na altura pouco mais ouvi do álbum, mas pouco depois já tinha orientado um CD para o poder ‘replicar’ para mim.

Desde então, sou apreciador de grande parte do que os Thievery têm lançado e no último Sudoeste em que lá pus os pés, essencialmente para ver The Roots, tive direito a ver estes senhores ao vivo e comprovar, uma vez mais, que não são só dois DJ’s a fazer as suas misturas por detrás de mesas e computadores. Instrumentistas, vocalistas em bom número e animação garantida e a confirmação de que estes anos todos de relação musical têm sido bem empregues.

Mas, aquela história de não haver amor como o primeiro, tem aqui a sua razão de ser, porque entre todos os que já ouvi e dos quais gosto, este tema continua a estar no topo de playlists que faço para os mais diversos momentos, desde som de fundo enquanto trabalho a companhia em corridas a solo.

E como acho que se conjuga bem com fundo de arvoredo, hoje ao fim da tarde vai competir com um podcast (sim, agora dá-me para isso quando corro) enquanto banda sonora oficial. E, se porventura me perder no meio da mata, pode ser que o satélite de Shaolin ajude o GPS.

Dra-ma-ti-zar

Não te consumas, é só uma escolha. Deixa que os outros vivam em pilhas de gravatas, conjugando peças para reuniões formais, apresentações verbais e fazendo da armadura de bom corte, o espelho da sua personalidade. A tua vida não te obriga a isso, seja qual for o dia, mas hoje o dia não é teu.

Não desdenhes, é só uma escolha, mas é a tua escolha. Se perfume e magnetismo pessoal não chegam para te decorar (leva um pouco de modéstia no bolso), faz com que a tua escolha conte. É trivial, é pessoal, é algo que não fazes todos os dias, portanto faz tudo como se fosse normal e escolhe como já tivesses feito essa escolha vez após vez.

Três parágrafos a falar de ti na terceira pessoa? Nota-se que não é o mesmo de todos os dias. Deixa de procrastinar e vai lá escolher.

Laço ou gravata?

 

Não é drama, é falta de hábito.

Blues pós leitura de livros

Sempre que leio um livro extenso, sinto uns certos blues pós-livro. Quanto melhor for o livro, na minha modesta opinião, mas acentuados serão esses blues, pois chega o fim da relação com um determinado enredo, um determinado conjunto de personagens e determinada envolvência que foi criada ao longo de centenas de páginas.

A temática das dimensões do tempo, de variantes e interligações sempre foi algo que me interessou e foi por isso que, já há alguns anos quando li o Cloud Atlas, de David Mitchell, gostei bastante do universo recriado. Depois vi o filme e quase criei uma instalação chamada: Repuxo de vómito e indignação pós-adaptação cinematográfica do mais elevado gordurosismo.

Este foi o segundo livro de David Mitchell que li e acabei esta semana.

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Não o fiz por ter sido long-listed para o Booker Prize de há um ou dois anos, apesar de ser uma lista que consulto com alguma regularidade quando me apetece ler em inglês. Fi-lo por perceber que a cena do tempo e das variadas dimensões que coexistem, também são um universo que interessam ao Sr. Mitchell.

Acabado o livro, os blues estão lá, afinal de contas foram quase 600 páginas, mas a coisa não foi tão crítica como pensaria. Mitchell é um gajo que escreve bem, planta a sua história ainda melhor e apesar de neste caso estruturar o livro muito ao género de Cloud Atlas (histórias que se cruzam, narrativas na primeira pessoa dos vários protagonistas, vários períodos temporais, etc), não fica aquele sabor a esquema recorrente. É um estilo.

Contudo, fiquei ali com uma sensação que não sabia descrever, como se a conclusão do livro criasse um vazio que não tinha bem que ver com blues. E então fui fazer algo que é costume apenas depois de concluir a leitura de certos livros – escolher uma ou outra crítica da obra e contrapô-la à minha própria opinião, para ver onde convergimos e onde está a divergência. E, nesta crítica do New Yorker, encontrei a razão para o sentimento de vazio, apesar de não me rever na severidade de vários aspectos da mesma.

Nada tenho contra boas histórias que não são grandiosas no capítulo da reflexão humanística. É como ir ver o Mad Max ao cinema – posso apreciar as mensagens que reflectem o caminho que nos pode levar ao apocalipse, mas vivo bem apenas com o desfrutar da acção e do seu grandiosismo por si só. Nesse sentido, não saio de Bone Clocks desiludido, pois nunca esperei que viesse mudar o meu prisma de ver as coisas. No entanto, nem que seja pelo facto de ter expectativas elevadas para a narrativa do tio Mitchell, o relógio aqui não estava tão certo como o meu. O que não implica que deixe de gostar dele.

10 Fenómenos estranhos na hora das despedidas

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Boa parte das pessoas não gere bem o momento das despedidas em momentos sociais e, se nunca deram por isso, é porque provavelmente fazem parte do grupo. Não sendo propriamente algo científico, é no entanto um acontecimento recorrente, as pessoas despedem-se umas das outras, sendo que a duração/momento dessa despedida é que pode fazer variar a carga emocional. Como tal, é passível de uma análise tipológica, ao jeito do departamento de Ciências Sociais da Universidade de Badmington.

 

Assim, ao nível de fenómenos de gestão do momento de despedidas temos:

O Prolongador
Já todos estivemos numa situação em que uma despedida que se faz em 10 segundos se arrasta por 10, 20, 30 minutos. Às vezes é porque se metem temas de conversa no meio da despedida, noutros casos é porque uma das partes se esqueceu que aquilo era uma despedida e arrasta a coisa, muitas vezes perante o evidente (e crescente) desinteresse dos restantes que só se querem ir embora.

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‘Não vão já, isto ainda está agora a começar…’

O Amplificador
É a pessoa que eleva as despedidas a um expoente glorioso, mesmo que se trate de um encontro casual no autocarro entre duas pessoas que mal se falavam na faculdade. Há sempre uma confirmação da espectacularidade do momento, ‘Epá, gostei mesmo de te ver’, há sempre uma expectativa de renovação que nunca vai acontecer ‘Epá, vamos então marcar esse jantar’ e há sempreminutos de mãos no ombro, esfregadelas no bracinho e proximidade que nunca devia ter existido.

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O Lamechas
A despedida é um momento crítico e as emoções vêm sempre ao de cima. Por vezes, o momento justifica-o, noutros casos é pura lamechice. ‘Não vás’, ‘Fiquem mais um bocadinho’, ‘Sabe-se lá quando é que nos voltamos a ver’, são apenas algumas das suas armas para fazer sentir mal para quem simplesmente só se quer ir embora.

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“Fogo, ainda nem foste e já me fazes falta. És o maior…”

O Ninja
Só sabemos que o ninja se despediu quando damos por isso que ele já não está lá. É alguém que parece que vai à casa de banho, foi buscar uma coisa ao carro, estava apenas a dois passos de nós e de repente, puff, já desapareceu. Por vezes sem liquidar os 20€ que nos pediu e que foi só ali ao multibanco levantar.

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O Bruto
Não sabe despedir-se e não tem jeito para essas merdas. E repete isso dez vezes em cada despedida. Volta as costas e já se está a afastar quando as pessoas ainda lhe estão a dizer adeus. Levanta um braço e fala alto, nem que seja para abafar o que os outros estão a dizer.

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‘Não sei despedir-me e não tenho medo de o mostrar…’

O Sem Jeito
É mais um efeito do que uma pessoa. São normalmente vários minutos de conversa em que ninguém já está a ter uma conversa coerente, aquilo já é uma despedida, mas ninguém tem a coragem para avançar com as palavras. É uma sequência de ‘Pois…’, ‘Então pronto…’, ‘É assim a vida…’ em que todos aguardam que a coisa finalmente se efective.

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O Personalizador
Faz gosto em despedir-se pessoalmente de todos os presentes, tem uma palavra ou gesto para todos, mesmo para aqueles que não conhece propriamente bem. Há quem diga que isso é ser muito educado mas, em certos casos, é simplesmente ser chato. É o equivalente ao tipo que conduz demasiado devagar numa via em que não se pode ultrapassar. Não está a quebrar nenhuma lei, mas a verdade é que nos está a atrasar a todos.
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O Par desconexo
Casal ou dupla de amigos que vai juntos a um evento e na hora da despedida tem comportamentos diferentes. Um deles arrasta-se nas despedidas, o outro é rápido a tratar das coisas, o que gera com que um esteja já ali ao fundo a 5 metros de toda a gente e outro ainda a despedir-se. Isso faz com que o que já está despachado fique a dizer ‘Anda lá’, ‘Vamos andando’, ‘Então, despacha-te lá…’.

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O Ressuscitador
É alguém que todos pensaram que já tinha saído ou que efectivamente já tinha cumprido o ritual e que de repente aparece de novo no evento para cumprir de novo o ciclo, sem que ninguém perceba muito bem onde esteve ou se se trata apenas de déjà vu.

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O Corta Corrente
Para essa pessoa chegou o momento da despedida e, como tal, ela quer que todos se despeçam mesmo que o timing não seja o mesmo. Começa a cortar conversas, começa a tentar encaminhar toda a gente para a porta, para os carros e é impossível não notar. O seu momento de despedida só faz sentido se for colectivo e é por isso, o maestro das despedidas, mesmo que todos os presentes quisessem apenas que ela se fosse embora e os deixasse em paz.

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Por vezes, é natural que uma pessoa flutue entre vários géneros, especialmente se a despedida é um momento em que nunca se sentem confortáveis. Da minha parte, só posso oferecer um conselho idiota – transformem a despedida noutra coisa qualquer. Não vão deixar de parecer estranhos, mas pelos menos sempre se inserem noutra categoria diferente.

A beleza do concurso de chapadas

No concurso de chapadas não há sorrisos irónicos.

No concurso de chapadas não há meias verdades e depois falamos.

No concurso de chapadas tu és quem és e o outro é quem é. O drama está na ponta dos dedos e não da língua.

No concurso de chapadas não se tem que ‘gostar de’, ‘amochar porque’ ou ‘deixar andar, porque as coisas não são bem assim’.

No concurso de chapadas não há uma coisa pela frente e outra pelas costas. É tudo na cara, literalmente.

No concurso de chapadas, a antipatia ostensiva não é algo socialmente condenável.

No concurso de chapadas os eufemismos e as figuras de estilo ficam à porta. O bom senso também, mas é um concurso de chapadas, do que é que estavam à espera.

O concurso de chapadas é assim e estou pronto para umas quantas rondas, com gente escolhida a dedo.