A febre do cálcio

Isto não se trata uma apologia ao futebol italiano, mas sim de uma interrogação – desde quando é que os problemas com o cálcio e a osteoporose voltaram a estar na moda? Os complexos vitamínicos e as cenas para o colesterol que se cuidem, o ataque do cálcio aos velhinhos está de volta e as televisões portuguesas estão cá para ajudar.

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Calhei a ver um bocadinho de televisão nas últimas manhãs e os meus ossos tremeram com tanta mensagem de alerta para o cálcio que me pode faltar na velhice – ele era a Vanessa Oliveira (na versão em que envelheceu 10 anos em 2 anos) e uma amiga sorrindo a favor de umas cápsulas, ele era o Júlio Isidro também a rezar pela saúde das ossadas dos idosos e ele eram mais uma ou duas tipas jovens e disponíveis segurando de forma muito natural e nada forçada uma bela caixa de cápsulas enquanto nos contam como é aquilo nos vai aliviar a carteira e as costas.

Sendo honesto, não me surpreende nada ver publicidade crápula a tentar encher a cabeça dos velhinhos que muitas vezes têm na televisão a última ‘pessoa’ que se preocupa com eles e lhes dá conselhos (ou que faz muito bem esse papel).

Mas por favor, poupem-nos a entrar em campanhas de testemunhos em que cospem textos que mal percebem a dizer que sim, que eles usam e que se ontem as dores nos ossos nem os deixavam endireitar as costas, duas caixas de comprimidos mais tarde já estão a dar mortais empranchados. É que depois a coisa passa da tristeza à caricatura, como o caso deste amigo:

Ponham a gaja da permanente loira e do tarot a vender comprimidos, usem as pseudo-boazonas de sorriso fácil a dizer que aquilo é fantástico e reciclem as ‘estrelas’ do firmamento televisivo que precisam de uns cobres para sobreviver a uma reforma difícil. Mas deixem os velhinhos fora das figuras tristes dos testemunhos – se os vão enganar, ao menos que nãos os usem contra eles próprios.

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Um pensamento sobre “A febre do cálcio

  1. É triste porque é mesmo verdade. É o cúmulo da exploração.
    Mas se pensarmos que estão a vender-lhes efeito placebo, se calhar não é tão mau. Será que eu velhinha quererei comprar um produto recomendado por outra velhinha? Será que isso me vai fazer sentir melhor? Se calhar. Agora estou a tomar bromelaína, recomendada por velhinhos da minha idade. Não me estou a ver a ficar menos susceptível à opinião dos meus pares daqui a uns anos.

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