15 dias como pai: Do Everest aos filmes de zombies

Foi a 6 de Junho que se deu o que se pode chamar de uma espécie de Big Bang privado. Não sei se essa é a sensação que toda a gente tem mas, simplificando, todas as regras do jogo mudaram. Aliás já nem sei bem quais são as regras ou que tipo de jogo se trata. Sei apenas que entrámos num universo diferente e que se por um lado a divindade local fala um língua que ninguém percebe, os que dizem entendê-lo falam de cocós, percentis, colostros, Infacols, mete bomba, mete mama, dorme x, arrota y e faz z.

Ouve-se quem se tem que ouvir e, traço geral, faz-se orelhas moucas a toda uma nação opinativa. Sempre pensei nisto como uma subida ao Everest, por muito que se planifique e que se possa tentar saber, quando estás a subi-lo é que sabes do que é feita a coisa e do que és feito tu. Todas as subidas têm circunstâncias diferentes, portanto se o Everest da A aumentou x% na primeira semana ou se as manchas do Everest do B se mantiveram até aos seis meses, isso é lá com eles. Eu estou concentrado no meu meio metro de Everest e o resto é mato.

Aliás, isto de ter uma criança é de tal forma impactante que me fez finalmente compreender algo que me intrigava nos filmes de zombies – o facto de em determinados filmes e séries os zombies serem lentos, com ar perdido e arrastarem-se com ar pouco esperto na resolução das suas tarefas e noutros terem uma fúria raivosa que os mete a sprintar no cumprimento de funções básicas, permanecendo apenas o seu ar pouco esperto.

Graças a uma experiência sócio-emocional, tenho estado a funcionar em registo zombie nas duas últimas semanas e compreendo perfeitamente. Quando em ‘modo folgado’, o zombie conserva as suas (poucas) reservas de energia pois já se sabe que alguma privação do sono o vai tornar pouco diferente de uma leguminosa no cumprimento de tarefas várias. Arrasta-se até um sítio, esquece-se do que ia fazer, volta para trás, pensa em alimentar-se, mas depois não se decide sobre o que vai comer e esquece-se de que tinha fome. Mas, perante uma necessidade mais urgente da pequena criatura, o zombie corre, salta, dá mortais de costas e investe em interessantes comunicações sobre chora? Não chora? Porque deixou de chorar? Faz parte, dizem eles, enquanto fazem o seu melhor sorriso zombie à espera da próxima vaga de zombiemania inexperiente.

E tudo isto faz parte de um pack que, mesmo que às vezes me pareça que é feito para nos fazer voltar mentalmente à escola primária e começar tudo de novo, é simplesmente um espectáculo.

A seu tempo também falarei sobre o efeito que uma criança tem nas pessoas que, não sendo a mãe nem o pai, se transformam em criaturas algo estranhas e como foi a única corrida que fui fazer em modo parental, para a qual aluguei duas pernas com 100kgs de chumbo em cada uma.

Agora não posso, tenho que ir consolidar a improdutividade mais deliciosa do mundo.
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18 pensamentos sobre “15 dias como pai: Do Everest aos filmes de zombies

  1. Pingback: welcome to the dad side | Sonhos do tipo D

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