Uma assombrosa visita à (in)Segurança Social

Ninguém gosta de ir à Segurança Social, mas há alturas na vida em que é como visitar a tia chata – lá vai ter que ser. A desvantagem é que a tia chata nos rouba tempo mas por vezes nos dá dinheiro e a Segurança Social tecnicamente não nos dá nada que nós não tenhamos já garantido, a não ser suspiros e histórias para contar.

Primeiro, fazer marcação online para ser atendido é algo engraçado. Chega a hora marcada, o senhor segurança diz ‘Marcação das 10.55’ e tu, maravilhado por só lá estares há 5 minutos, acenas e dizes que és tu. Ele manda-te subir para o andar onde vais ser atendido e, não estando à espera de refrescos e poltronas reclináveis, também não estava à espera de uma semi-fila no atendimento. Ou seja, há uma estimativa para a tua marcação, mas se a malta antes não se despacha tens que esperar à mesma no segundo nível. Mas pronto, há coisas piores.

E, resolução do meu assunto à parte, como ‘coisas piores’ pode entender-se o jovem pai mitra no posto de atendimento ao lado, que entre ter a sua filha pequena ao colo, mandar calar a sua mulher repetidas vezes e gritar com a funcionária repetidas vezes, tornou muito fácil o processo de tentar fixar o que a pessoa que me atendia ia dizendo. Pelos vistos, estava a ser injustiçado pela Segurança Social (don’t we all?), mas pretendia resolver a coisa berrando que ‘você é incompetente’, ‘isto aqui é só bandidos a roubarem a gente’ e ‘Não saio daqui até resolverem isto ou falar com o responsável’, sempre num loop agressivo. No final, não resolveu aquilo, falou com três pessoas diferentes mas nenhuma era a responsável, que ‘o responsável hoje não está’ (sobrariam os irresponsáveis?) e ainda teve que discutir com mais duas ou três pessoas que estavam na fila de segundo nível e que, estranhe-se, tomaram o partido da Segurança Social (adivinha-se algum lado interesseiro envolvido…

No meio do berreiro, do segurança não houve sinal, o que pode até ter sido benéfico para a agressividade não escalar, mas também prova que não existem propriamente seguranças nestes locais, apenas pessoas que vestem fardas com o intuito de impor algum respeito mental e que ganham muito pouco para se arriscarem a levar umas frutas de um despeitado pela Segurança Social.

Finalmente, posso dizer que o meu processo em si não levou mais de meia hora, mas mais porque sou um tipo avisado e já tinha lido online várias informações que me podiam ser úteis na altura de resolver tudo o que pretendia sobre licenças parentais do que propriamente pelo carácter expansivo e solícito da funcionária. Não foi antipática, mas também não foi simpática, não se negou a responder, mas também não foi para além do básico. Foi apenas um receptáculo para os meus impressos, mas um receptáculo com olhos, boca e respostas curtas, para além de um carimbo e um calendário disponível para empréstimos. Foi aquilo que, na fogueira onde se queimam os funcionários públicos que o merecem e infelizmente também os que não merecem, se chamam de ‘serviços e sorrisos mínimos’.

Ainda assim, recomendo a marcação e não sejam esquisitos, seja a Segurança Social do Areeiro, de Loures ou Oeiras, o mais provável é que não sigam para lá contentes, nem saiam de lá exultantes. Se sairem com o dever cumprido, já é algo de que se devem orgulhar.

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