Corri com o cansaço e ele correu comigo

Fiz um acordo com o meu corpo. Se estivermos perto das seis da manhã e já não conseguir dormir mais – corro.

Desde ontem que estou a ganhar 1-0.
Sem desculpas, fazendo o mínimo barulho com a chave ao fechar a porta e com um podcast nos ouvidos (dá-me para isso agora).

OIlho

Da Cidade Universitária a Sete Rios, onde aquele edifício olhava por mim – daí ao topo do Parque Eduardo VII é uma subida compensada agora pelo facto de ir descendo vertiginosamente até ao Marquês quando o trânsito ainda não é tudo o que vai ser. Sobe e, estilo Sócrates, vou do Ritz à prisão em dois tempos. Um abraço à Ramalho Ortigão onde em tempos vivi, Gulbenkian como estás e sobe-se da Praça de Espanha às Forças Armadas. Em tempos o ‘recorde do segmento’ foi meu, agora contento-me em suar e arrastar a máquina.

Uma descida mais tarde estou quase em casa. Como prémio, passo na senhora do pão. Riem-se sempre quando passo por lá suado que nem um porco e não me parece que haja aí qualquer perspectiva libidinosa. Peço o que tenho a pedir e peço ainda desculpa pelas moedas suadas.
Recuso-me a correr com moedas, o barulho irrita-me, mas deixei-as escondidas na caixa do correio, mas pelo que escorrem parece que as deixei escondidas numa cascata.

Com o saco do pão na mão e o resto do corpo ocupado a suar, regresso. Toda a gente dorme. O dia já pode começar.

A manhã passada ficou assim, deixa ver como ficará a próxima.

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6 pensamentos sobre “Corri com o cansaço e ele correu comigo

  1. Fiquei fixada no “6 da manhã e já não conseguir dormir”. Que bela criatura que vocês fabricaram, sim senhores, que vos deixa dormir. Que assim se conserve!
    p.s. Agora vamos ser vizinhos, pode ser que nos vejamos nessas voltas matinais. Ainda estás a dever-me uma long run nos altos montes saloios.

    • ´Deixa dormir’ é uma frase para ser levada muito no sentido lato. Ainda se treina muita tentativa de rotina, de turnos, de cabeçadas nos armários sem fazer barulho e todo esse circo – ainda assim, verdade seja dita, o mini-artista é mais pacífico de noite e mais furacão pela manhã. Isso e o facto de uma licença inicial ainda estar a bombar, o que facilita tudo.

      Sempre vens para esta zona? Categoria, é todo um mundo (que certamente não é novidade para essa tribo) – O resto é uma questão de combinar, estou a precisar de reboque para voltas desse género, que agora pareço um motor fora de borda a subir por Lisboa fora 😉 (só no barulho não na potência)

    • Não te metas nisso. Se passasse metade do tempo em que corro a escrever já tinha obra feita mas, por outro lado, é provável que fosse obra mais azeda e avinagrada.

      Sou apenas um ‘corredorzito’, nem sequer faço running nem nada 😉 O resto vem por influência de levas e mais levas de desporto ao longo dos anos que, adaptando uma frase da minha mãezinha, ‘já me deu mais mazelas que outras coisas’ (na voz dela, que na minha nunca poderia dizer tal mentira’.

      Por isso, aproveita bem os teus vícios e nunca cobices os dos outros, que é a vida é lixada e ainda nos arranja maneira de nos tramar com isso.

Tens a certeza disso que dizes?

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