Menos um telefonema

Odeio falar ao telefone, mas hoje daria o que não posso para fazer uma chamada que durante tantos anos marcou este dia como o princípio de combinações futuras e trocas de galhardetes que mais não eram do que abraços à distância de miúdos em ponto grande.

Dois, três minutos e as mesmas piadas com os mesmos nomes de código de sempre – entre novidades, clima de férias e projectos que fariam sempre sentido lá mais para Setembro.

Apago linhas e linhas que escrevo como se isto fosse uma chamada sem sentido à espera de uma resposta que não há de vir. Dizias, pelo meio de conversas sobre o blog que era suposto ser nosso, que não percebias como, para além de tudo o resto, eu ainda arranjava tempo para ‘textos, blogs e essas merdas’.

Ria-me, para mim sempre foi fácil fazer de canetas e teclas extensões do que penso, do que vejo e do que sinto – chamava-te preguiçoso e dizi-te para veres menos filmes, já devia haver pouca gente em Portugal que vivesse, consumisse e soubesse tanto de cinema como tu. Põe isso por escrito, se eu consigo, tu consegues, no mínimo seremos iguais, na prática é bem provável que te saias melhor. Eu puxo por ti, mas descansa que não é para correr. Se não nos virmos antes, falamos em Agosto e olha que em Setembro temos planos para arrancar.
Tudou mudou, mas nada mudou, os planos agora hão-de ficar para um outro Setembro, num calendário diferente, seja lá quando isso for.

Não te posso ligar a dizer isto, mas fica por escrito. Não consigo ir à tua página, um mural que tem a marca da tua alegria, mas que agora guarda apenas espelhos de saudade e tristeza, especialmente em dias assim. Não sei se é um sinal dos tempos modernos, se é bom ou mau ou se é apenas o que é. Cada um lida com as coisas à sua maneira.

E, só para terminar com este registo lamechas que muita gozação me teria valido, garanto-te que a partir de hoje e mesmo nos dias difíceis como o que se aproxima, aquilo que escrever sobre nós não será trágico-sensível, será sobre o que de bom sobrevive ao mau que não se apaga. Até porque já não há cu para continuar a escrever textos para gente que não tem acesso à Internet seja lá onde estiver (e que mesmo que tivesse, o estaria a usar para downloads de filmes e séries, quase de certeza).

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