A história por detrás da história dos livros sensoriais para bebés

O meu filho levantou-me uma importante questão sobre uns livros que costuma ler avidamente e que incluem cenas tácteis, sonoras e até para morder.
Livrol
Ok, ligeiro esclarecimento, o mini cidadão tem cerca de quatro meses, baba-se avidamente para cima de algumas páginas desses livros e ostenta uma razoável curiosidade sobre as figuras que lá aparecem. É o pai que levanta importantes questões sobre esses livros.

O cenário é muito simples – cada livro não chega a ter 10 páginas o que faz com que, juntando as oferendas que vai recebendo, o puto tenha mais livros do que meses de vida, cada qual com 5-6 páginas. Como o objectivo do livro é suscitar-lhe a curiosidade e o interesse sensorial, eu sei que a história não é o mais importante para ele, que se vai entretendo a tentar comer uma página, a ouvir o guizo da outra ou a tentar perceber porque é que o mocho faz barulho de papel de embrulho.

Para mim, há uma clara questão que se vai desenvolvendo em pano de fundo, conforme vou mostrando o mesmo livro várias vezes, nem que seja porque na minha cabeça ele gosta mais daquele ou do outro – até que ponto estes livros podem cusar desgaste em pais pseudo contadores de histórias?

AS DUAS OPÇÕES DE UM PAI

a) Faço de mono e limito-me a ajudá-lo a folhear as página, repetindo nomes de animais, bonecos e afins, tudo em vozes estilo desenhos animados, pau-sa-das e acompanhadas de caras esquisitas

b) Vou construindo histórias diferentes em volta de um mesmo livro. Suponho que, em certos casos, esta segunda opção possa parecer assustadora, especialmente se não nos lembrarmos que ele não está propriamente atento às falhas de enredo.

Mas, tendo eu a mania que reside em mim alguma criatividade, opto muitas vezes por tentar contar histórias simples, a partir dos personagens presentes, em enredos curtos para fazerem sentido com as páginas. E isso, ao fim de uns tempos, pode tornar-se complicado.

Exemplo: O livro do polvo pirata

Capa: Polvo vestido de pirata e uma estrela do mar sorridente.
1ª página – Baleia naturalmente anafada no mar
2ª página – Pirata humano, auxiliado por caranguejo pirata
3ª página – Sereia acompanhada por um peixe expressivo
4ª página – Polvo pirata regressa, com duas estrelas do mar sorridentes

Ao fim de umas quantas leituras, eis os vários tipos de enredos que já foram surgindo e aos quais começa a ficar escasso acrescentar alguma coisa:

Enredo A – Polvo à Kramer contra Kramer
O polvo pirata fica sem a estrela, muito por culpa das más companhias com que se dá. A estrela volta, acompanhada de um bebé estrela e exigem pensão de alimentos ao polvo. Há uma ligação tensa que é mediada por um casal amigo que tem como animais de companhia um caranguejo e um robalo.

Enredo B – O polvo empreendedor
Polvo sente que a pirataria não é vida e decide abrir uma hamburgaria dentro de uma baleia. O negócio corre mal e só tem 4 clientes e dois deles, o caranguejo e o peixe, são mais ingredientes que clientes. Fecha a hamburgaria e torna-se vidente das estrelas.

Enredo C – Secret Polvo Story
A estrela está farta de conviver com um polvo gay histérico que critica todas as suas escolhas de vestuário. Vai a um talk show apresentado por uma baleia, onde o tema é ‘Casais difíceis e amor liberal’ – acaba por concluir que faltava mais uma estrela para a relação funcionar em trio.

Enredo D – Panic Polvo Room
O polvo vive em receio constante de acabar em versão lagareiro. Como não sai de casa, decide tornar-se um hacker e leva demasiado à letra o conceito ‘pirata’. A estrela tenta atenuar isso organizando uma festa em sua casa. Ao abusar do rum do pirata, o polvo faz avanços indecentes à sereia, ameaça transformar o peixe em sushi e começa a ver estrelas a dobrar. Em desespero, tenta curar-se atirando-se para dentro de um tabuleiro com azeite a ferver e alho.

Enredo E – Polvo à Gabriel Alves em cama de Christopher Nolan
É tudo um sonho do polvo, tipo Inception. Na realidade está no Oceanário e leva uma vida tranquila, tirando na altura de Mundiais e Europeus de futebol, onde toda a gente lhe pede dicas de resultados.

Podia continuar, mas não posso gastar os créditos todos agora, ainda tenho versões do livro sobre caudas de animais e outra sobre encontros suspeitos de animais numa quinta para trabalhar. Cheguem-se à frente se quiserem…

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