A melhor coisa que aprendi numa cadeira de Economia: Custo de oportunidade

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Custo de oportunidade – assim em traços largos é aquilo que perdemos (na melhor probabilidade), dentro do que podíamos fazer/ter/alcançar, em função da nossa escolha por outra coisa qualquer. É um conceito económico e social.

A piada é que, muitas vezes, acabamos a avaliar o custo de oportunidade depois das coisas terem acontecido e não no momento da decisão, isto é, somos todos um bocado adeptos de chorar sobre leite derramado.

‘Ah fui ao cinema e o filme foi uma bosta, mais valia ter ficado em casa que ainda por cima está a chover’, ‘Epá, fui correr de manhã e bati com os dentes numa árvore, se tivesse ficado a dormir tinha menos sono e mais dentição’, ‘Nunca devia ter investido naquela relação, andei a perder tempo e agora o meu sex-appeal baixou em 25% e sou uma pessoa bem mais cínica perante a realidade. Devia ter investido, ao invés, num curso de bordados’.

Perante cenários reais e fictícios o custo de oportunidade é, não raras vezes, especulativo, pois não sabemos se ficar em casa não tinha dado origem a um curto circuito, se ficar a dormir não podia ter gerado um atraso imperdoável ou se o curso de bordados não ditaria o fim da nossa vida romântica.

Mas o que é verdade é que, perante as nossas inclinações e vontades, no pré-escolha, somos muito mais tendenciosos/descontraídos na avaliação do possível custo de oportunidade. É natural, não somos máquinas analistas inflexíveis e, se calhar, muito do que de bom nos acontece também tem que ver com não pensarmos no que podemos estar a perder, mas sim no que vamos ganhar.

Eu gosto de um meio-meio, ser um bocadinho racional e cínico no pré-escolha, mas não deixar de fazer coisas com base em pressupostos não confirmados. Depois de fazer as coisas, aí sou tão queixinhas como os outros, mas sem sentimentos de culpa. Fica sempre bem um ‘É assim a vida’ acompanhado de um encolher de ombros ou, em situações mais extremas, ‘FODASSSSSEEE, é sempre a mesma merda, se tivesse feito A acontecia B’. Tento apenas não cair no patamar daquela malta que fica a olhar para o boletim do Euromilhões que lhes rendeu 0€ e fica a dizer ‘Eish, eu tinha o 29, saiu o 30, as estrelas ponho sempre estas e só ontem é que mudei…’

No entanto, não tentem ver aqui alguma sabedoria ou conselhos de vida a seguir – Economia foi a cadeira que deixei para trás até ser a última que fiz antes de acabar o curso. Obviamente, esse foi um custo de oportunidade que resultou de escolhas talvez não muito acertadas, mas que me souberam muito bem.

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2 pensamentos sobre “A melhor coisa que aprendi numa cadeira de Economia: Custo de oportunidade

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