O dia em que passei das botas às borgas

Entre os 13 e os 20 anos levei o basket muito a sério. Mas isto não é bem sobre basket, é mais sobre escolhas. E, no que a Nike Air Jordan diz respeito, este foi o primeiro par que escolhi.

Air_Jordan_7

Comentários estéticos à parte, o ritual era este – por altura do meu aniversário (Agosto) o meu pai perguntava-me o que queria e a resposta era – ‘um par de botas para a próxima época’. Como a oferta ainda não era tão grande como hoje, por norma íamos à Athlete’s Foot das Amoreiras e a escolha era entre o que havia.

O meu truque era nunca ir aos dois/três modelos mais caros da loja, para que o meu pai pudesse ver que estava (a fingir) ser sensato, já que os modelos mais porreiros e recentes continuavam sempre a ser mais caros que a média. Nunca tive mais que dois pares ao mesmo tempo, o que chegava e sobrava para o desgaste de uma época.

No entanto, chegado aos 16/17 anos, notei uma coisa, já não me interessavam tanto umas botas de top, especialmente tendo em conta que poupando nas botas aumentavam as oportunidades para borgas, até porque planos de regabofe com pessoal e oportunidades de convívio com o sexo oposto faziam cada vez mais concorrência aos planos de treinos, sendo uma árdua tarefa manter um equilíbrio saudável entre as duas partes.

E foi nessa altura que deixei de ir à Athlete’s Foot das Amoreiras com o meu pai. Parte do cenário mantinha-se igual, ele perguntava-me o que queria de prenda de aniversário, eu respondia ‘umas botas’ e ele perguntava ‘Então damos um salto às Amoreiras?’. Só que a minha resposta implicava agora um plano para ir lá mais tarde com uns amigos e que o valor X devia ser suficiente para a coisa, não valia a pena estarmos a ir lá os dois de propósito. Ele lá acedia e quando efectivamente ia à loja comprar os ténis, continuava a olhar para as Air Jordan e modelos de top que iam saindo, mas depois avançava para outros modelos que custavam para aí metade e não comprometiam ninguém. Não estava propriamente a comprar Mike, Ardidas ou Relook.

Moral da história: o rendimento em campo nunca baixou por causa das botas usadas. No entanto, devido a uma maior margem de manobra financeira no final do verão, os inícios de época foram cada vez mais penosos.

Felizmente, um ou dois anos mais tarde o clube passou a patrocinar o calçado, o que permitiu uma ainda maior reorientação de verbas para a fase lúdico-formativa de final de adolescência.

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