Morte aos jardins de pedra

Se me abstrair de ligações emocionais e tentar fazer uma análise racional ao que é de facto um cemitério, fico sempre no mesmo loop de pensamento:

Por um lado não temos espaço para fazer como em países em que as lápides são apenas pontos no meio da verdura de jardins/prados e coisas que, ainda que bucólicas, respiram uma atmosfera mais ligada à vida do que ao lado pesaroso que faz parte das circunstâncias.

Por outro também não podes convencer toda a gente para a opção cremação, bem mais prática na logísitica e a dar-te a opção simbólica de fazer o que bem entendesses com o factor ‘cinzas’.

Mas será que estamos presos ao conceito deprimente de lápides atrás de lápides, jazigos do mais grotesco ao mais trabalhado, incluindo jazigos de pedra com portas de alumínio (e já as vi douradas) estilo marquise e toda uma atmosfera que respira depressão e exacerba o princípio do sofrimento e da ausência?

Na nossa memória reside aquilo que retivemos dos que já partiram e é aí que estará sempre o foco principal, mas será que o ritual da última morada tem que ser um exercício tétrico de penar sobre o que já é penoso?

Como dizia o outro, não sei qual o melhor caminho, mas sei por onde não quero ir.

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