A verdadeira urgência do Natal

Resumindo, noite de Natal e a malta foi jantar lá a casa, afinal de contas quando tens um filho e é o seu primeiro Natal o pessoal facilita e concorda contigo em muitas coisas, desde que saias da frente que o menino é que é a estrela da companhia.

Tudo sentado à mesa, as entradas marcham a bom ritmo e a sesta de mini-cidadão cria uma expectativa ao estilo do ‘o Pai Natal de 67cms está prestes a chegar para distribuir alegria.

O problema surge quando o Pai Natal de 67cms acorda com mais de 39 de febre e tosse de fazer inveja a qualquer estivador no auge do seu catarro pujante. O problema está à vista e a solução também – casacos vestidos, tralhas parentais infanto-juvenis às costas e passagem pela sala para avisar as pessoas. A multidão clama:

‘Ahhhhhhhh, finalmente, O MENINO….Mas, mas, mas, onde vão?’
Explicações dadas, camarões pousados na mesa, alguma consternação e, para além de cuidar da criança, há também que prestar rápidos cuidados emocionais a alguns adultos: ‘Mais vale prevenir do que remediar…’, ‘Nesta noite também não deve haver muita gente a sair de casa…’, ‘Fiquem e comam à vontade, o bacalhau está óptimo e a mousse de manga promete. Nós também prometemos voltar’.

Não fosse o mini-cidadão parecer um pugilista grogue e teria sido engraçado o facto de sairmos de nossa casa, na noite de Natal e deixar a mesa cheia de gente.

O resto é uma história de noite de Natal em hospitais – com o lado positivo do atendimento (embora no privado) não ter corrido mal, o caso não ser extremamente grave e termos sempre o termo comparativo de ‘ah, mesmo quando está doente, o nosso filho comporta-se bem melhor que outros mini-enfermos’, exacerbando o nosso lado parental pacóvio.

Ok, pela envolvência e a novidade a noite foi tecnicamente uma merda mas é também um episódio familiar para contar em noites futuras e cobrar à criança quando ela já tiver idade para responder mal e dizer que não quer isto e aquilo.

Mas teve sempre os seus momentos, como a procura da farmácia de serviço mais próxima, chegar lá à meia noite, tocar e ver surgir o farmacêutico com ar desgrenhado a atender-nos com olhinhos papudos. Minutos mais tarde, enquanto ele junta a encomenda, surge uma jovem farmacêutica a perguntar se queremos que prepare o antibiótico. Digo que sim, enquanto reparo que apesar de se ter tentado compor está também ligeiramente desgrenhada. Naqueles breves segundos, o nosso imaginário voa sobre regabofe inter farmacêuticos na noite de Natal.

Finalmente, chegar a casa e descobrir os sobreviventes do jantar, enquanto o mini-cidadão já dorme o sono do cansaço e das drogas. Também nós queremos dormir, não sem antes contarmos a história que vamos repetir várias vezes nos próximos dias.

Nem nos apetece comer, mas comemos porque há comida a mais, sono a mais e espaço a menos.

Aprende-se muito sobre o que é verdadeiramente o Natal quando não estamos verdadeiramente preocupados com ele.

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