Vinilidade

Homem a sério já teve bigode.
Homem a sério percebeu que ter bigode era como cultivar apenas parcialmente o culto da masculinidade. Por isso o homem a sério passou a ter maiores ambições agrícolas a nível capilar-facial.
Homem a sério já teve barba.
Homem a sério não chorava nessa altura para não danificar a barba.
Homem a sério percebeu a dada altura que já ponderava sair de casa com uma rede na cara para manter a barba intacta.
Homem a sério ponderou novos caminhos, mas não perguntou a ninguém, porque homem a sério não usa mapas, não duvida do caminho e faz do instinto o seu GPS.
À conta disso, por vezes homem a sério vê-se na Buraca em vez do Lumiar, o seu destino inicial.
Homem a sério passou a ter discos em vinil. Outra vez. 30 anos depois.
Homem a sério não tem gira-discos.
Homem a sério já ponderou usar os discos como individuais de mesa.
Foi então que percebeu que talvez já não fosse um homem a sério e pôs a sua vinilidade em causa.

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2 pensamentos sobre “Vinilidade

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