Violaram-me 100€ com uma multa à porta de casa

Levei uma multa e tenho o carro bloqueado.
Tristes e ainda com lágrimas em cima, vejo 100€ a despedirem-se de mim. Parece que afinal não vamos passar mais tempo juntos.
‘Coitadinho, és só mais um de 300 mil gajos a queixarem-se do mesmo’, poderão vocês dizer-me. E eu não nego, mas o que me falta em euros sobra-me em azia, por isso é o que temos.

Vivo em Lisboa, trabalho em Lisboa, não vou de carro para o trabalho, tenho dístico da EMEL para duas zonas, pago a tempo e horas mas, apesar de gostar muito da zona onde moro, tenho a grande infelicidade de morar numa rua de sentido único em que não existem parquímetros.

‘Muita fixe’ dirá o mitra automobilizado ‘Diz lá onde é que é, que eu dá-me jeito não estar sempre a dar de comer à EMEL’. Diria de bom grado, mas parece que não há vagas.

É uma zona próxima de universidades, Metro e de empresas para todos os gostos e feitios, hordas de carros atulham diariamente as ruas ali à volta, fazendo com que os residentes tenham sempre que andar à cata de lugares, tipo Pacman em busca da frutinha escondida.

Podia agora começar com um diagrama a explicar as razões que levaram à multa mas poupo-vos o descritivo.

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O realmente lixado de ser multado à porta de casa é porque isto é um esquema à portuguesa totalmente recorrente e que tem a seguinte moral ‘Bem, enquanto não resolvemos isto como deve de ser, vamos picando o ponto e facturando uns belos cobres’.

A EMEL não tem parquímetros na minha rua. A populaça aproveita e os residentes estrebucham.

A Câmara / Junta podiam usar dois arruamentos não alcatroados para criar melhor estacionamento e torná-los exclusivos para residentes. Não o fazem, a populaça aproveita e os residentes estrebucham enquanto fazem marcha atrás de forma esquisita.

De um lado da rua o estacionamento paralelo é legal, do outro é usual (metade no passeio, metade na estrada) mas ilegal. No entanto, os pilaretes nunca aparecem, porque isso ia deixar uma zona residencial com menos 30% de estacionamento. Só que, por denúncia ou por jackpot instantâneo, regularmente a Polícia Municipal tem aparecido para recolha de ‘donativos’. A populaça foge para a rua seguinte e os residentes acabam a descarregar nos tipos que não têm culpa nenhuma de estar a fazer o seu trabalho.

Não resolvendo nada de forma definitiva, constrói-se a solução do desenrasca, na base de multas que não resolvem problemas mas têm uma base legal, por isso não há como contorná-las.

De bom grado daria 100€ se soubesse que iriam contribuir para bom planeamento e uma solução pensada de um problema que deriva de situações que não existiam há 60 ou 70 anos quando algumas destas ruas foram delineadas. Mas não, foram apenas 100€ que se vão perder no eco de ‘É só mais um gajo lixado com uma multa’.

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2 pensamentos sobre “Violaram-me 100€ com uma multa à porta de casa

  1. Às custas de tudo isso (e mais o pormenor de me andarem a f*der o carro aos bocados), em 2016 decidi que ia abdicar do carro (que, em boa verdade, de pouco me servia… mas dava jeito) em Lisboa. Quando preciso, recorro ao comboio e cravo boleias, enquanto choro de saudades daqueles tempos em que podia ir onde quisesse quando quisesse sem estar totalmente dependente de horários.

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