Ofertas do trabalho

Tenho 4 pacotes de nata em cima da mesa. Dois são de ‘natas com caril’, dois são de ‘natas 0% lactose’. Oferta do parceiro Y ou do cliente Z.

Todos têm um destacado’NOVO’ inscrito no pacote. Novidades para testar no mercado, a nata nossa de cada dia.
A minha preocupação não é pensar se vou consumir aquilo, se vou deixar aqui até me fartar e mandar tudo fora ou se hoje ou amanhã algumas das pessoas que só descansam quando levam 39 pacotes de nata para casa, se vão dirigir a mim com olhinhos de panda triste e conversa ao estilo de ‘…se não as quiseres…’.

A minha preocupação é apenas: para quando umas ‘Natas sem nata’? Isso sim, nem que seja para testar a reacção das pessoas, valeria a pena. Há mercado para o absurdo.

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Vanda no stand dos príncipes encantados

Olá bom dia, veio ver os modelos novos?
Não, não, isso não é para mim.
Então?
É certo e sabido que perdem logo um terço do valor mal passamos da porta…
Sim, mas…
Deixe estar. E oportunidades?
Refere-se ao nosso lote de príncipes usados? Estão em óptimo estado, muitos deles vêm até com atrelado deixado por outras condutoras.
Pois, mas isto com usados…passa um mês ou dois e já estão a dar problemas. Com atrelados nem se fala.
Tenho aqui também algumas retomas, modelos que voltaram a casa da mãe.
Ahhhh, isso não dá jeito, essas empresas de mothering desgastam muito.
Compreendo, mas assim fica mais difícil…Olhe, lembrei-me agora, tenho aqui um familiar.
Ok…é um príncipe de maior porte, é isso?
Não, é mesmo um familiar, o meu primo Euclides, rapaz fantástico, muito pouco rodado.
Certo, mas tem as revisões em dia, é mesmo encantado?
Bem, tem o 12º ano, vai ao ginásio regularmente e até já leu uns quanto livros…
Hmmm…não sei, se calhar o Euclides não é bem o que procuro.
Já considerou o leasing?
Como é que isso funciona?
Bem, pode escolher um príncipe se calhar até de maior cilindrada, anda com ele durante uns anos, ele nunca chega a ser seu, mas quando se fartar disso devolve-o.
Ah, já sei, a minha prima fez isso.
Através do nosso stand?
Não, não, foi mesmo com um colega de trabalho.
Pois, isso dos particulares às vezes dá confusão, há sempre o risco de queimar o motor da relação e não haver garantia. Mas bem, não a podendo ajudar, pode sempre experimentar um stand virtual.
Há algum que recomende?
Depende do seu estilo, há quem goste de blogs, facebooks, aquelas coisas modernas dos chats ou das apps, os Tinders da vida.
Não sei se isso não é muita fantasia…
É o problema dos príncipes encantados, muita procura, muita oferta, pouca realidade.
Agora é que falou bem.
Se me deixar pagar-lhe um cafézinho pode ser que fale melhor.
Fica para a próxima, que de café estou bem, mas ando a reduzir na conversa.

Para quem não coma gelados no inverno

Comer gelados não é tipo vólei de praia, nudismo ou outra coisa qualquer que só faça sentido no pico do calor. Pode refrescar, etc e tal, mas não é propriamente proibitivo.

Por isso vamos lá parar com ar escandalizado quando alguém diz ‘Ontem fui a uma gelataria’ e ainda estamos em Fevereiro ou Março.
Até porque não me lembro de apanhar ninguém com ar doentíssimo a dizer-me, ‘Epá engripei-me com aquela Conchanata’ ou ‘Apanhei ontem um chocolate preto com lima demasiado fresco e agora estou cheio de febre e dores de garganta’.

Libertem-se tartaruguinhas, comam gelados no inverno ou, pelo menos, não chateiem a cabeça a quem o faz. A não ser que insistam em fazê-lo sempre apenas com uns calções de banho vestidos.