NIN e o laboratório de música ao vivo do Youtube

Mesmo em segundo plano, gosto de ouvir excertos de concertos no Youtube, tanto de bandas que conheço, como de artistas sobre os quais tenho noções mais vagas.

A curiosidade de diferenciar exercícios de estúdio de performances ao vivo são coisas que muitas vezes podem fazer a diferença ao investir para ir ver um concerto. Por exemplo, Red Hot Chili Peppers, quando os vi, foram músicos competentes mas não houve uma performance que transformasse o concerto num evento único. Por outro lado, ver um concerto de We Have Band num sítio minúsculo, em que toda a gente acaba a dançar quase em cima do palco é uma experiência melhor do que ver alguns dos vídeos interessantes da banda.

A minha relação com os Nine Inch Nails (com um enorme mea culpa de não os ter ido ver quando passaram da última vez por Lisboa), vive muito da noção que o senhor Trent Reznor tem algo de genial em relação à música, mas também ‘trabalha’ muito a ideia do génio torturado. No entanto, em concerto, não raras vezes dou por mim a ouvir excertos de NIN em que quando espreito a imagem, o que encontro não seria o previsível face à minha expectativa. E gosto do que encontro.

É preciso ter a sorte de ir aos concertos certos no sítio certo, beneficiar da mise-en-scène e dos extras que dão outro relevo ao espectáculo, tornando-o único para quem o viu ao vivo e invejável para quem o espreita online. Como no caso do medley seguinte.

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O terror na madrugada

Perguntam-me se é assustador andar a correr por aí em horários impróprios, por vezes em bairros e ruelas suspeitas.

Não, meus amigos, assustador é acordar com a casa toda em silêncio, equipar e dar um pontapé na porra de uma lagarta-brinquedo que fica convenientemente esquecida no chão, em que aquilo começa tudo a acender luzes com música infantil em altos berros, sendo que aquela porra nunca mais se cala e tu tens medo que se lhe mexeres aquilo ainda cante mais e ficas ali em bicos dos pés a ver se alguém acorda com o chinfrim, até que 30 segundos depois que parecem 30 minutos aquilo finalmente para e ninguém acordou.

Isso sim, é assustador.