Love for Rage e o dilema de Jackie Onassis

Não venho aqui divagar longamente sobre a minha paixão de longa data por Rage Against The Machine. Nem isso, nem descrever ao pormenor os dois concertos que deram em Portugal com 12 anos de intervalo, na forma em que eu ter mudado não mudou em nada a electricidade no ar e a vontade de ser uma folha violenta a lutar contra o vento no meio de gente hardcore suada.

Venho simplesmente debitar parte de um lyric que o Zack sempre debitou com a garra crua que tornava o De La Rocha adjectivo e não apelido. Não é das mais conhecidas, mas sempre me fascinou ir ver as letras completas e tirar os significados por detrás da coisa. Sim, porque isto é raiva com significado, não é apenas raiva louca. É como ir um ginásio em que te trabalham o raciocínio enquanto desgastas energia física. É a parte final da música and it goes like this:

I wanna be Jackie Onassis
I wanna wear a pair of dark sunglasses
I wanna be Jackie O
Oh oh oh oh please don’t die!
Yeah ya tryin’ ta tire me, tire me
I can see you in front of me, front of me
Ya tryin’ ta tire me, tire me
Why don’t you get from in front of me?
Ruh!
We’re already dead!
We’re already dead!
We’re already dead!

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Nisto das obras artísticas há sempre um significado que é nosso e pode derivar para longe do que o autor pretendia, mas sempre me fascinou a referência à Jackie O. Primeiro pela ligação à restante letra. Foi ela sempre prisioneira de uma imagem que criou para esconder tudo o resto? Nunca se conseguiu livrar dos espartilhos criados pelas relações com homens poderosos que ‘comandaram’ a sua vida? É fácil criar ídolos e venerá-los por uma suposta imagem que muitas vezes difere da sua própria realidade?

E o que começa como um lamento, descamba facilmente com a noção de que a resistência ao seguidismo fará sempre sentido porque, seja como for já estamos mortos, mais vale que seja nos nossos termos.

Esta é a minha interpretação inicial, pois mais tarde descobri que a música foi composta para ‘celebrar’ a morte de Richard Nixon (cuja única referência indirecta tem a ver com o Laos, isto para quem for fã de história norte americana).

Curioso é ver online que, cada cabeça sua sentença, o que para mim é a beleza da coisa. Aliás, esse é o pormenor delicioso que liga este post à minha relação com a racha da Doris Salcedo. Mas isso fica para outro post.

 

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