A verdade, a mentira e o arrotar de postas de filosofia

A conversa era sobre as pessoas serem mais crédulas na internet do que frente a frente, no que a dinâmicas sociais diz respeito. Embora cínico, acredito que isso deriva da maior facilidade de ‘poker face’ da escrita face à capacidade de efabular olhos nos olhos – há muito menos bons mentirosos ao vivo do que à distância, segundo dados estatísticos da Universidade de Badmington.

Mas eis que, a meio da tertúlia, me saí com ‘há gente que vive para procurar a mentira no meio da verdade’. E depois de uma grande salva de palmas por este chagasfreitismo a la citador, fomos todos almoçar. Na prática, não foi uma frase estudada para criar o efeito, sou mesmo eu que sou dado a bitaites e frases tricotadas a rigor, mas pus-me a pensar um pouco sobre o alcance da mesma.

Será que a realidade por vezes não nos satisfaz e somos dados a querer entendê-la como falsa? (por exemplo, perante uma novidade muito má ou uma contrariedade imprevista)

Será que a experiência prévia, especialmente em episódios negativos, leva a uma postura super-defensiva? (por exemplo, perante um acontecimento positivo que achamos não poder ser real)

Ou será uma espécie de cinismo terra a terra, que promove o equilíbrio face ao lote de ingénuos que ainda povoam esta terra?

Achando que isto era coisa para demorar mais que a hora de almoço, optei por não dar continuidade à conversa. Ainda assim, não comi sobremesa, para também não compensar dúvidas com açúcar.

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3 pensamentos sobre “A verdade, a mentira e o arrotar de postas de filosofia

  1. Pano para mangas para polvos…

    Eu estaria mais inclinado para a teoria de que as pessoas estão sempre na defensiva em relação às coisas boas. De tal forma que, muitas vezes, acabam por as perder. Mas esta teoria vem-me apenas da experiência, em que me deparo com pessoas a não abraçarem o bom que lhes aparecem à frente, porque se surpreendem com ele quando estavam à espera do mal.
    Instintivamente, também estamos sempre mais atentos ao lado mau das coisas, porque é essa atenção que distingue os sobreviventes dos que são apanhados desprevenidos por um predador…

    • Acho que, em parte pode ser por aí, a experiência de vida a moldar a coisa, mas o ‘quando a esmola é demais o pobre desconfia’ muitas vezes é adaptado a ‘quando há esmola, o pobre desconfia’. E isto é algo extensível a coisas tão triviais como meteres conversa com alguém na rua por 3-4 minutos e a coisa ficar por aí. Algo muito comum nos EUA, mas em que por cá, experimenta fazer isso e garanto-te que boa parte das vezes vão olhar para ti a pensar ‘O que é que este gajo quer com isto?’

      • Essa cena de meter conversa na rua é algo que está na minha bucket list a curto prazo. Misto de experiência social e exercício de auto-superação.
        To be seen…

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