Terapia de escadaria


Procura uma escadaria alta na tua cidade. Não te preocupes se não for épica, se for alta chega perfeitamente e alta é ter mais degraus do que os que consegues contar à primeira vista. Não te preocupes também se tem mais ou menos gente, certamente conseguirás encontrar uma hora em que as pessoas são menos que os degraus. Não te preocupes com o facto de correres mais ou correres menos, vai ser uma coisa de instinto não de performance atlética.

Depois, corre por ela abaixo, com velocidade adequada ao alívio e sensação de liberdade que procures.

Quando resulta bem:

Tal como um comboio que sai da estação, conforme vais descendo, a tua velocidade vai subindo. De degrau em degrau vai aumentar a vontade de saltar dois degraus, três talvez? O piso, o tempo, a velhice das escadas, tudo isso serão contas feitas em segundos conforme a velocidade se desdobra e contornas quem se ouse a cruzar contigo. O corrimão é um amigo, mas às vezes gostamos de não os ouvir, um toque ali e outro acolá, mas a descida é quem manda. E o último salto, quando o fim já está à vista? Vais fazer um lance? Dois degraus? Vais olhar para trás e querer começar tudo de novo? Seja como for, já valeu a pena desde o degrau do qual já nem te lembras, mas que irás recordar perfeitamente se decidires fazer o percurso a subir.

Quando não resulta bem:

As pessoas vão visitar-te ao hospital, vais ter tempo para conversar ou, pelo meio das dores, fazer gestos e olhares compreensivos. Há um mundo de coisas que podes comer através de uma palhinha que te vai ser apresentado. Um dia, com a dentição reconstruída, vais rir-te deste momento.

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3 pensamentos sobre “Terapia de escadaria

  1. Parecendo que não, há aqui muita sabedoria em apresentar a terapia de escadaria [tripla rima, a Prof. Maria Lopez trespassar-me-ia (4!) com mil facas nos olhos, e falamos de uma senhora que tinha um a apontar para cada lado] do lado de quem começa a descer. É assim que se convence a audiência. Isso do subi-las cof, cof.

    • Eu tive uma professora de Semiologia que trocava os ‘r’ por ‘g’, acho que eles fazem de propósito para colocar as pessoas à prova.

      E claro, começa-se sempre a teoria pelo point of low resistance para engan… converter mais facilmente a audiência.

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