Não há vela sem senão

Lembro-me de, na primeira vez que fui ao Brasil, ter sido frequentemente tomado por argentino. Não se tratavam dos meus dotes futebolísticos, mas sim do facto de que o português falado, de forma rápida e informal, se assemelhar bastante ao castelhano aos ouvidos dos locais.

Portanto, resolvi abrandar quando falava e tentar manter a linguagem simples e directa, sem parecer o cliché do Manuel da mercearia. Traço geral resultou, mas não me safei de uns quantos momentos épicos, alguns deles ficaram gravados na pedra dos meus bitaites favoritos.

O meu favorito nasceu de uma conversa de pequeno almoço de hotel em que um simpático velejador brasileiro meteu conversa comigo. Disse-me que adorava Portugal, que competia muitas vezes na Europa e achava que tinha muita sorte em fazer aquilo que fazia.

No entanto apesar de estar sempre no mar, que considerava a sua segunda casa, tinha muitas vezes saudades do Brasil.

Foi então que decidi avançar com alguma sabedoria popular ‘Pois, é como dizem lá em Portugal, não há bela sem senão…’

Olhar pensativo do velejador, fixado num horizonte lá muito ao longe. ‘É isso mesmo, não há VELA sem senão. Povo sábio o português, porventura essa frase vem do tempo dos Descobrimentos, não?’

Não sabendo o que dizer, disse que sim e ficámos os dois a olhar para os novos horizontes da sabedoria popular.

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