Até ao osso

Saí para a chuva.
Cego pelo cheiro húmido do asfalto, corri o mais que pude.
Sem ver, sem pensar, simplesmente fui, esperando que o universo me saísse da frente.
Sentia a água que caía a dissolver-me por entre tudo o que me rodeava.
Foi-se a roupa, foi-se a pele, foi-se a carne.
Até ao osso.
Despido de tudo, continuei, levado por uma força maior.
Já fragmento de mim próprio, finalmente arranjei força para parar.
Ajoelhado, dei por mim a chorar, sem o conseguir fazer.
Era só a chuva que escorria por entre a minha alma.

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