Gostas do meu corpo?

Ainda não consegui encontrar um contexto social fora da intimidade (e, vá lá, áreas profissionais muito específicas), em que esta frase dita em viva voz não tenha um ligeiro cunho ‘pervert’.

E olhem que tenho experimentado no meu local de trabalho.

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Nunca há de faltar tempo

para dizer que não há tempo.

para ver alguém a escorregar na rua.

para olhar para obras na estrada.

para escutar uma conversa alheia.

para fazer swipe.

para falar sem pensar.

para falar de comida enquanto se está a comer.

para fazer contas de cabeça.

para suspirar.

para te esqueceres de algo.

 

Ficção (tempos imemoriais – 2016)

Olho para o mundo à volta, seja o mundo mais próximo, seja aquela realidade distante que, ainda assim, arranja forma de nos entrar pela casa dentro e sinto que vivemos numa dimensão paralela.

O que antes era ficção é agora realidade e a realidade reproduz cada vez mais episódios ficcionais. Já não precisamos de pensar no que poderia ser, aquilo que já é chega para nos deixar boquiabertos.

Só resta à ficção render-se, assumir que foi suplantada pelo monstro de cabeças infinitas em que se tornou o mundo em que vivemos. Retire-se a dita cuja para uma ilha, onde pode relembrar tempos passados e deixe-se a mesma a sorver batidos através de uma palhinha comprida, certamente com gelo picado.

Talvez um dia a realidade lhe vá bater à porta para matar saudades e, pelo meio de uma conversa, percebam que as coisas podem voltar a ser como eram. Mas, até lá…