Ficção (tempos imemoriais – 2016)

Olho para o mundo à volta, seja o mundo mais próximo, seja aquela realidade distante que, ainda assim, arranja forma de nos entrar pela casa dentro e sinto que vivemos numa dimensão paralela.

O que antes era ficção é agora realidade e a realidade reproduz cada vez mais episódios ficcionais. Já não precisamos de pensar no que poderia ser, aquilo que já é chega para nos deixar boquiabertos.

Só resta à ficção render-se, assumir que foi suplantada pelo monstro de cabeças infinitas em que se tornou o mundo em que vivemos. Retire-se a dita cuja para uma ilha, onde pode relembrar tempos passados e deixe-se a mesma a sorver batidos através de uma palhinha comprida, certamente com gelo picado.

Talvez um dia a realidade lhe vá bater à porta para matar saudades e, pelo meio de uma conversa, percebam que as coisas podem voltar a ser como eram. Mas, até lá…