Não te deixarei morrer, livro de valor

Tens andado na mochila de um lado para o outro, já mais de meio caminho percorremos juntos e os destinos de vários personagens interessam-me mais do que tenho vindo a demonstrar. É o destino que nos tem separado, são os carrinhos de bebé que tornam os podcasts ainda mais sedutores, é o trabalho e mais não sei o quê.

Mas aqui te prometo Sunjeev, os teus foragidos não vão andar mais um ano à solta.

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One night (band)stands

Há bandas com as quais tenho uma relação ‘one night stand’, ou seja, só lhes dou importância por causa de uma música que gosto ou que me chama a atenção entre tudo o que produziram. Atenção, é algo diferente dos ‘one hit wonders’, que por norma são bandas/artistas que tiveram uma música de jeito (ou, vá lá, algo que ficou no ouvido) ou daquelas bandas que começamos por só conhecer um tema durante algum tema até que vamos descobrir mais umas quantas e até percebemos que afinal é coisa para ouvir de forma mais abrangente.

E assim chegamos à minha relação com os Arctic Monkeys.

Não ponho em causa que seja uma banda de valor.

Não questiono que tenham inúmeros álbuns bons e músicas de embarda que valem a pena.

Não duvido que se fosse a um concerto iria gostar de ouvir, porque ao vivo é que é.

Não contesto que as faixas do álbum X sejam melhores que as do álbum Y, mas que há dois temas no álbum Z que são imperdíveis.

Para mim, Arctic Monkeys são isto:

 

Oiço isto em loop na boa durante meia hora e, do resto, não quero nem saber.

 

Personalidade do ano

Era giro que, em vez disto ser um prémio mediático/profissional, fosse uma funcionalidade que as pessoas usassem para anunciar aos outros que traços de personalidade iriam usar, neste caso em 2017.

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Pessoal, em 2017 aviso já que a minha personalidade do ano vai ser ‘à Rambo’. Portanto, preparem-se que vou entrar a matar sem remorsos em muitos casos, mas terei os meus laivos de emoção e sentido de justiça, apesar da minha cara de pau não o demonstrar.

Não terei medo de arriscar no penteado e em colares ornamentais, mas ficarei irritado se me disserem que as permanentes já não estão na moda.

E falem comigo por escrito, já se sabe que não se percebe metade do que digo quando abro a boca.

Eleições no sindicato dos bonecos de peluche

Panda é eleito presidente do sindicato por unanimidade, com três votos a favor, quatro contra e três abstenções. Na reunião foi também decidido, por unanimidade, que nenhum dos peluches sabia efectivamente o que ‘unanimidade’ quer dizer. Na realidade, tendo em conta a votação, nenhum dos peluches sabe efectivamente para o que servem votações.

Os apoios do Panda vieram da parte de Cão de peluche I, Cão de peluche II e Cão de Peluche III. A oposição alegou que os Cães de Peluche não sabem distinguir um cão de um Panda, explicando isso o seu voto. Os Cães de Peluche deixaram um rosnar de protesto, ameaçando ainda um gato, que se veio a comprovar mais tarde que não era um peluche.

A oposição ao Panda manifestou-se na figura do Coelho Simão, de Kiko Niko, do Sapo Cócoras e do Urso Nenuco. Segundo estes, o Panda usou meios ilegais de campanha, nomeadamente um canal de televisão que utiliza um primo seu para impingir cenas às crianças. O Panda negou qualquer ligação ao canal, prometendo bilhetes para um espectáculo do Panda & Os Caricas a quem provasse o contrário. Já os Cães de Peluche mostraram-se indignados por verem tantos votos de cães a colocar em causa a sua união, provando uma vez mais dificuldade em distinguir animais.

As abtenções vieram da parte do Macaco do Livro, da Nuvem Sorridente e da Raposa Almofadada, sendo que nenhum dos quais se considera propriamente um peluche e daí o desinteresse nas votações e nos potenciais candidatos, coisa que deixou uma vez mais descontentes os Cães de Peluche, que se mostraram tristes ao saber que há cães que não ligam a um evento tão importante na vida de um peluche.

O plenário terminou em polvorosa, sem discurso do candidato eleito, após uma rusga do mini corpo de intervenção, que não só fez um mata-leão ao presidente eleito, como deixou em muito mau estado o Sapo Cócoras, algo que chocou imenso os Cães de Peluche, indignados por ver um dos seus a sofrer.

 

O nosso índice de ‘efemérides’ a comemorar anda ao nível da uaubesidade mórbida

Começando pelo fim, o que é a uaubesidade mórbida? Bem, de forma simplista, é a crescente necessidade de validação e bajulação que as pessoas podem levar a extremos, quando abusam do consumo de redes sociais.

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Nada de novo, ao fim ao cabo é só uma tendência que já se tem vindo a desenvolver há algum tempo e que as próprias ferramentas estimulam, com pequenos truques e nuances marotas e que as pessoas papam como quem olha para um bombom sozinho numa caixa e diz ‘Bem, só um não faz mal’, apagando da sua memória que só está lá um porque acabaram de comer uma caixa inteira.

Como é que se manifesta? Entre muitas outras formas, levando o conceito de ‘aniversário’ ao nível micro: as pessoas celebram e partilham o 111º dia na vida do seu cão e os aniversários dos bebés, passaram a mesário, a caminho de semanários e ainda nem falámos na efeméride do nascimento de cada um dos seus dentinhos. Mas isto é só o início…

É que a precisão de dados e a demência de festejos andam de mãos dadas, celebram-se aniversários de amizade virtual, dias internacionais de tudo e um par de botas, até já há dias com o nosso nome, só porque sim e gera conteúdo. Podemos ainda comemorar quando aderimos à rede X, quando publicámos o post 1000 ou o milésimo like em fotos com gatinhos. Comemora-se tudo o que seja uau e o problema é que tudo é uau, porque não custa nada mandar para o ar.

Provavelmente, não é mais do que um sinal dos tempos, da evolução (ou redução) das consciências. Da mesma maneira que somos levados a (re)pensar o que é a esfera do privado e do público, algo que varia de pessoa para pessoa, também a ‘pressão invisível’ de gerar conteúdos se manifesta de muitas formas.

O sentimento de pertença é algo ligado à dinâmica humana na vida em sociedade e o facto é que quando a sociedade muda e evolui nos mais diversos campos, também os mecanismos de adaptação evoluem. No geral, as pessoas gostam de que gostem delas, o reconhecimento, ainda que superficial é agora mais fácil e se na prática às vezes é difícil encontrar 10 amigos a sério, na piscina morninha das redes sociais, temos às centenas e totalmente ligados ao que entendemos por bem partilhar. Uma vida uau, mesmo que etérea e inconsciente, não é nada de se deitar fora nesses moldes.

A uaubesidade mórbida, se bem que uma questão mais de bom senso e critério entre adultos, possivelmente só começará a ter efeitos realmente investigáveis nas gerações que já crescem com uma vida digital antes de se darem conta da mesma, que coabitam desde o berço com dispositivos que deixam tudo mais próximo através do paradoxo de o fazerem à distância e que, desde as primeiras fases da sua construção de personalidade, vão conviver uma noção muito diferente do que é pessoal/partilhável/público e do que é reconhecimento válido vs celebração superficial. A forma de pensar (já é) será diferente, os conflitos de gerações terão outros temas e o certo vs errado será jogado noutros campos.

Até lá, vamos de uau em uau até à loucura finau.