O som e a fúria

Não sei se é da época, mas cada vez dou mais por mim a observar pessoas a desligar da realidade em reuniões, conversas e situações em que outras pessoas estão presentes. Não sei se é uma corrente de fãs de live events de ‘fluxos de consciência’ ao estilo William Faulkner ou se simplesmente o pouco tempo que temos já não chega para gerirmos tudo o que nos vai na cabeça e precisamos cada vez mais de criar bolsas de oportunidade, conscientes e inconscientes.

Em contexto profissional, até percebo. O tempo que se passa a encher chouriços em reuniões, exercícios fúteis e diversos desperdícios de tempo é propício a isso e a clonagem já nos devia ter ajudado a resolver problemas deste género.

Já em registo pessoal, não creio que seja simplesmente desinteresse e momentos inúteis, acho que cada vez mais as pessoas tendem a ter falhas de concentração, a dispersar-se facilmente e, entre o recurso ao telemóvel e estímulos mentais internos, tão depressa se está ali, como se está a navegar na maionese.

Estaremos porventura a viver uma vida dupla, mas desta vez já não é para jogar Playstation, é só para nos perdermos na imensidão do vazio e dos problemas da nossa consciência. Dos quais só saímos para ouvir ‘Mas tu estás a ouvir-me?’ ou ao ouvir dedos a estalar para nos sacar do transe. ‘Spaced out is the new trend’ como diz a malta que gosta de anglicismos para botar cenário.

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