Eu, o não poeta

Tenho com a poesia uma relação difícil.

Reconheço nela todas as virtudes da escrita, admiro a arte daqueles que nela bem navegam mas, até ver, consumo-a sempre em pequenas doses racionadas, como que a evitar um possível enjoo que nunca acontece.

Gosto dos jogos de palavras e sentidos, das narrativas não-lineares, da construção rítmica e traçado por vez ausente, mas depois fujo dela por não me oferecer aquilo que me cativa na prosa, mesmo que às vezes não consiga bem explicar o que é. Gostos, aquele escudo universal que diz tudo não dizendo nada.

E isto trata-se, é claro, da perspectiva enquanto consumidor. Enquanto produtor de linhas e letras coordenadas para sugerir algum sentido, sinto-me sempre um urso a barrar-se de mel antes de ir visitar abelhas quando arrisco algo com essa estrutura. Não é o meu campo, a minha batalha e posso ter as armas que os outros usam, mas não saberia dizer como se usam ou usá-las para delas tirar proveito. Linguagem poética, pela sua abrangência pode ser muita coisa, mas poesia é uma porta bem definida nesse edifício e só lá deve entrar quem não pretenda fugir à procura da saída.

Como tal, esqueçam futuros sonetos, a pesca aqui é outra. Agora só é preciso ir comprar uma cana.

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