Causas nobres, gases nobres

O mundo digital indigna-se agora com um peido. Um peido em causa solidária, acrescente-se. Da minha parte, não me choca, mas eu também sou um reles cínico que é capaz de se rir vezes sem conta da miséria alheia. Não me chocam os indignados, porque ir às redes sociais sem te indignares com nada é como ires ao ginásio só para passear entre as máquinas. Não me choca a frase, pela sua aplicação no contexto pelo seu autor.

Escatologia e os seus efeitos é debate que já dura há largos séculos, com presenças nas mais diversas obras. Um caso ‘bonito’ é a odisseia de Gargantua e Pantagruel, dois gigantes em cujas aventuras nunca faltou, literalmente, muita merda. Podíamos questionar se Rabelais não tinha outro recurso para engrandecer ou enquadrar os seus personagens. Mas a questão é essa, Rabelais não utilizava a escatologia de forma gratuita, usava-a para definir determinada estética na qual a sua narrativa se inseria.

Independentemente de gostar ou não do Salvador, a frase dele não foi gratuita, nem foi humor barato. Foi um enquadramento entre a visão dele e as expectativas das pessoas, dizendo a verdade sem filtros. Falar sem pensar não tem que ser sempre um acto negativo.

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