‘Ir a pé’ essa trend de verão

A questão é simples, farto-me de ver gente moderna que faz férias e repete incessantemente ao voltar ‘era um sítio fantástico, 5 minutos a pé e estávamos na praia, o caminho era delicioso’, ‘aquele local era um achado, 6 minutos a pé e estávamos a fazer yoga no meio de cabras montesas, fantástico’ ou ‘era um spot deluxe, 7 minutos a pé e estávamos num rooftop top a curtir um sunset amazing ao som de um chillout’.

Voltam de férias e dizes para irmos a um sítio que é a 5 minutos a pé e parece que acabas de convidar para nos irmos esfregar num lote de gente gira com ébola.

Onde é que acaba o cool que é poder ir a sítios a pé? Só quando não faz parte da nossa vida quotidiana? Só quando não parece que é vulgar e dá trabalho? Andar a pé é coisa de gente que aprecia suar?

Não sei bem a resposta, mas vou andando. A pé, para ver se as respostas chegam primeiro.

 

Currículo do autor

Ia para a escola primária a pé (mas tinha sapatos, uma casa, família e essas cenas fixes, não era caso de pobreza, mas coisa de proximidade)

Ia para a escola preparatória a pé (às vezes a correr, devido a passagem por zona mitra)

Ia para a escola secundária a pé (7 minutos para chegar à escola, às vezes horas para voltar)

Ia para a faculdade a pé (com excepções por motivo de ressaca, interesses femininos, vida de deboche)

Actualmente, vou de casa para o trabalho muitas vezes a pé (20-25 minutos) – é um luxo que estimo, tentando não levar cheiro a estábulo para o local de trabalho.

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6 pensamentos sobre “‘Ir a pé’ essa trend de verão

  1. É porque ir a pé exige calçado apropriado, i.e. havaianas. Voltando o uso do sapato, do téni, até da sandália, o peão temporário transforma-se em abóbora.

    • Goza, goza, com o uso jocoso do ‘téni’. Eu também gozava muito com ‘sande’ até ver que era legalmente aceite. Agora tenho medo de ser atropelado pela gramática e vou a pé para me esconder em cada esquina 😉

    • Já fui acusado de má parentalidade por uma velha gaiteira quando, ao passar uma goteira, confundiu-a com chuva e achou que eu não levava agasalhos e protecções suficientes para o júnior plus. Fiz-lhe um hadouken mental e segui.

      Como me diz uma amiga minha que mora em Londres, se em Inglaterra as crianças não andassem a pé/de carrinho quando está mau tempo, contava-se pelos dedos dos pés as vezes em que isso acontecia.

      Mas, curioso que fales em chuva, estou a preparar um estudo científico na matéria.

    • Anseio por isso e tenho para a troca uma história de infância que inclui a máxima ‘Aquela rua não é para ir a pé, é para correr’. Até lá, toca a gastar palmilha e encher a alma pelo norte 😉

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