Segunda é dia de biografias sensíveis

Ao longo da minha vida, duas coisas se têm revelado como boas ferramentas para gestão de stress, balanceamento emocional e outras coisas bonitas que ficariam bem dizer se isto fosse um espaço alugado ao Gustavo Santos. Falo da escrita e do desporto, nas suas diversas vertentes.

A primeira faz parte do meu trabalho mas, na realidade, faz parte da minha essência e  já o escrevi várias vezes. A vertente profissional canaliza bastante energia e, uma vez que quase sempre anda de mãos dadas com a criatividade, acaba por consumir também bastante do meu tempo útil. Contudo, arranjo sempre maneira de ir escrevendo para mim e também para os outros, embora não necessariamente preocupado com a gestão de audiências, tráfegos ou o que seja. É que, entre blogs e outras redes sociais, já são muitos anos e alguns projectos que deram gozo, todos eles reflectindo um pouco de mim. Já acabei com coisas que eram ‘bem sucedidas’ porque já tinham cumprido e esgotado o seu propósito, já fiz outras com um cariz meramente temporário, porque era assim que deviam ser e outras, como este espaço, nasceram da vontade em continuar a ‘mandar postas’ para o nevoeiro digital.

Faltam outras quantas coisas, umas mais sérias, outras mais divertidas, mas que tento encaixar na lista de prioridades e na luta contra o perfeccionismo de ‘faz-de-conta’, aquele manto procrastinador que nos faz adiar coisas porque ‘ainda não estão como quero’, ‘a altura não é a ideal’ ou ‘têm que se rever várias coisas para fazer sentido’. Mas hão-de sair, porque não gosto de deixar pontas soltas ou coisas por resolver, enquanto as mesmas dependam de mim.

Mas se a expressão escrita é o barco em que gosto de navegar para exprimir umas quantas coisas, a expressão física do desporto é o vento que me permite arejar e conduzir esse barco com mais clareza para os destinos que mais me interessam. Basicamente, desde os seis anos de idade que pratico alguma forma de desporto, com mais de 25 anos a fazê-lo de forma oficial, aliada a muitas vertentes de diversão. Nos últimos anos, por melhor gestão da vida familiar, social e profissional, centrei-me na corrida, sendo que nos últimos dois acabei por sacrificar por completo o basket, que será sempre a modalidade do meu coração. Foi a escolha mais matura, para que me restem outros campos onde continuar a ser um jovem idiota respeitável.

No que a correr diz respeito, primeiro foi a estrada e a diversão das distâncias curtas como manutenção face a outros desportos. Depois, distâncias mais longas em estrada, meias-maratonas, descobrir recantos da cidade em corrida, vários e às mais variadas horas. Depois as maratonas, cá e em Espanha, muitas vezes com a companhia de amigos, mas a aprender sozinho a treinar, a descobrir limites, etc. O choque maior veio do facto de por vezes achar a corrida um acto solitário, quando vinha de muitos anos de desportos de equipa. Não é mau, é diferente e obriga a afinar o mindset nesse sentido.

Depois descobri o trail e isso abriu perspectivas diferentes, não só de descoberta de pequenos recantos por todo o lado, de Natureza que sempre esteve cá e eu não a conhecia. Também deu para momentos de auto-descoberta, mas o Gustavo Santos hoje não pode e portanto esse parágrafo fica nas moitas. Descobri também que, em horários pouco comuns, se juntavam pessoas de força também incomum e ajudavam a que isso de correr não fosse um acto tão solitário. Tenho aproveitado, o melhor que posso, a experiência e tentar que a mesma seja um complemento e não um fardo perante a realidade que às vezes cai de rompante, apesar de não ser novidade nenhuma – sou um gajo que tem dois filhos, uma família a tentar fazer o melhor que sei, para dar a todos (e a mim, sempre que viável), o que for preciso para sermos felizes.

É claro que cada um joga com as peças e com o tabuleiro que tem. O meu tem tudo isto que aqui descrevi e muito mais que não cabe em linhas. Depois é só conjugar os ingredientes nas proporções certas para não dar em maluquinho, o que por si só já é via verde para toda uma loucura.

 

Então e o trabalho, essa coisa de ‘gente grande’ e respeitável?

O trabalho existe para nos fazer dançar, mesmo que não seja necessariamente a música que mais gostes. Mas, se gostares de dançar, já estás melhor que muitos outros.

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2 pensamentos sobre “Segunda é dia de biografias sensíveis

    • Para mim, sendo realista, perfeccionista é aquele que, já tendo concluído algo, está ali de volta de pormenores e detalhes que porventura não acrescentam grande coisa (por exemplo, em linguagem de designer, o chamado ‘lamber layouts’).
      Tudo o resto que não se fez, mas se tem sempre uma desculpa para isso, é o perfeccionismo-faz-de-conta (e nele me incluo, em certas coisas)

Tens a certeza disso que dizes?

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