(Ouv)ir é o melhor remédio

Aprende-se muito a ouvir os outros, basta perceber que ‘falas demais’ é uma acusação bem mais comum do que ‘ouves demais’. Mas ouvir não é o mesmo que estar calado, é mais saber usar o leme enquanto os outros vão remando.

 

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A escrever com os pés

Se pouco tenho escrito por aqui, é porque tenho andado a escrever com os pés. Primeiro com os meus, correndo e andando por caminhos que conheço, atalhos que desconheço e voltas que dou para ter tempo para me encontrar comigo mesmo.
Depois, com os deles, pés pequeninos que correm sempre mais do que andam, que aceleram para travar e saltam para cair ou que, pura e simplesmente, ficam ali deitados, agitando-se, pedindo cócegas e soltando pequenas gargalhadas, as primeiras por sinal.

Não sai grande prosa, a que é escrita com os pés, mas enche-me de histórias para o caminho, e é isso que por vezes faz falta para que não me preocupe em saber para que lado vou – não é preciso chegar ao fim da estrada para ter histórias para contar, basta estar atento aos passos à nossa volta.

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Certas pessoas trepam por sexta-feira acima com o entusiasmo de quem se vai mandar da prancha do segundo andar para a piscina. Sem verificar antes se a mesma tem água ou não.

Depois, é vê-los à segunda feira, a desbobinar em frente a um qualquer burro das lamentações*.

Já eu, prestes a gozar um período semi-zen, semi-vamosláadomardoisminicanalhas, prefiro fazer como os velhotes. Descer as escadas devagarinho e sentir pouco a pouco a temperatura da água a chegar-me aos sentidos. Depois é desfrutar da aclimatação.

 

 

 

 

*burro das lamentações – pessoa que, por norma à segunda feira, se deixa apanhar por alguém que só precisa de um corpo à frente para desbobinar e chorar-se de tudo o que lhe correu mal no fim de semana.

O que uma mulher moderna precisa para ser feliz

Para serem felizes, as mulheres precisam de se livrar da celulite que têm e ir a um clube de sexo aprender dicas very hot com acompanhantes, para depois poderem marcar um encontro com o seu ex numa esplanada trendy e tentar livrar-se desse cancro que é viverem sozinhas. Se não resultar, sempre podem usar o que aprenderam para ganhar um dinheirinho extra para comprar uma roupinha da Moschino ou melhorar qualquer coisinha com uns tratamentos, que isso não vai lá só com força de vontade.

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Não se deve julgar um livro pela capa mas, ao olhar para esta edição da ‘Happy woman’, é difícil fugir ao que parece ser o pão com manteiga para tentar vender uma revista do género. Serão mulheres a pensar no que as mulheres gostam, homens a tentar pensar no que faz mexer as mulheres ou, simplesmente, cenas modernas que fica bem explorar em revistas, mas não passam de fogo de artifício encadernado?

 

Navegando pelas segundas

Para alguns, as segundas feiras são as rochas que o farol do fim de semana ofuscou, levando-nos a confundir o caminho com a perdição. Embebidos nela, pensando em tudo o que a viagem nos trouxe, há quem se afogue por entre os destroços com a semana à vista e há quem nade pelo meio dos mesmos, não tendo força para se preocupar com mais do que tentar chegar lá vivo.

Para outros, a segunda é o porto de abrigo, fugindo da tormenta que é ter que viver por si e pelos outros, de gerar planos, das vagas de programas e ondas de eventos para os quais não há outro remédio senão mergulhar e tentar sair vivo do outro lado. Ah, a calma rotina que vai e vem de segunda a sexta, o deixar ir com a corrente, mesmo que esta esteja presa ao seu pescoço.

Ainda há um terceiro grupo e, para esses, a questão é simples – hoje é segunda?