Segunda também é dia de fun facts sebosos

Eu sei, o post anterior é algo denso para começar a semana, pedia mais uma quarta feira de chuva ou uma quinta-feira pós jantar do dia anterior com excesso de picante e álcool.

Portanto, numa nota mais light, eis Billy the Butcher.

Sabiam que, depois de filmar o Gangs of New York, o Daniel Day-Lewis ficou tão enojado do tempo que andou com o cabelo seboso que o rapou de imediato assim que as filmagens terminaram?

Agora que já sabem, toca de ir impressionar amigos/as com cabelo duvidoso.

Vitalogy, Corduroy e a lenda dos Pearl Jam

Os Pearl Jam já constam do Rock and Roll Hall of Fame, a introdução que lhes foi feita pelo David Letterman fez jus ao seu estatuto e, numa espécie de interligação aqui ao blog, os Journey também fizeram parte desta fornada. As considerações em relação ao grunge, especialmente depois do desaparecimento de Chris Cornell, podiam ser vastas mas, mais quero ser mais conciso do que isso ou de uma retrospectiva de carreira, interessa-me pegar num ponto específico.

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O que andavas tu a fazer por volta de 1994?

1994 ainda não tinha chegado ao verão e já Kurt Cobain tinha deixado para trás um mundo com o qual nunca se entendeu plenamente. O ano parecia ser negro para o grunge e eu andava a fazer contas à vida, já que passar os dias a jogar basket num 12º ano com apenas três cadeiras, envolvido também em imensas actividades de regabofe, não ia durar para sempre.

Mas Novembro trouxe-nos Vitalogy dos Pearl Jam e, embora isso na altura não tenha sido um acontecimento que mudou a minha vida, o facto é que a marcha do tempo nunca o levou para longe e fui descobrindo mais e mais sobre ele, até chegar à conclusão retrospectiva que, para além do momento definitivo que marcou para a banda, é provavelmente o seu melhor álbum, em termos de riqueza, diversidade, valores seguros e contexto inesperado. E a grande vantagem disto ser um espaço de opinião pessoal, é que não têm de concordar comigo para poder continuar a ler a custo zero.

Acredito que, em certas bandas com uma carreira longa, a análise retrospectiva é sempre a melhor forma de entendermos o seu percurso e a sua evolução (ou estagnação). No momento ficamos sempre presos à envolvência do que estamos a viver e, embora tal não seja necessariamente mau, isso simplesmente não permite uma visão mais distanciada e abrangente. E, se é verdade que este álbum pode já parecer remoto pelo facto de ainda pertencer à época em que as pessoas compravam música em formato físico neste caso, pela própria história em volta da produção da capa, marca um capítulo importante para a banda.

Auto-ajuda e uma capa que lhes custou milhões

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Para além da guerra em que a banda já se encontrava envolvida com a Ticketmaster, a decisão na base da capa/caixa do CD teve os seus custos, pois quem a tem (sim, eu tenho) sabe que a mesma é algo invulgar nos materiais e formato. Reza a lenda que o álbum era para se chamar Life até Vedder ter encontrado um livro de auto-ajuda e dicas de saúde do início do século XX. O seu título, é óbvio, Vitalogy.

Só que optar por fazer diferente, neste tipo de negócio/formato, mexe com preços. Fazer uma capa de CD num material diferente, aproximando-o do formato de um livro iria, entre vários problemas, tornar o álbum mais caro para os fãs. A banda não quis isso e fez um acordo com a editora para dividirem entre si a despesa extra, o que segundo consta lhes implicou um custo de cerca de 50 cêntimos de dólar em cada unidade vendida. Se tivermos a noção de que só na primeira semana o álbum vendeu 950 mil cópias…é fazer as contas à factura.

Contudo, o importante neste preâmbulo é perceber que, depois do sucesso dos dois primeiro álbuns os Pearl Jam, muitas vezes às costas da inspiração de Vedder, já se posicionavam com um peso que lhes permitia certos ‘luxos’ e escolher que caminho iriam trilhar. Nada prova mais isso do que olhar para a disfuncionalidade harmoniosa das faixas do álbum

O preço da fama e de escolher um Corduroy

Em álbuns como este, destacar faixas é logo motivo de discussão, mas opto por um dos filhos favoritos (e tenho muitos aqui), Corduroy e faço-o não apenas por gosto até porque esta faixa nunca foi sequer lançada como single, mas porque a sua mensagem é um espelho da quase implosão da banda, das mudanças que se deram e da razão pela qual, ao olhar para as faixas do álbum este é, a meu ver, talvez o último registo, em modo genérico de uns Pearl Jam enquanto ícones grunge, apesar de já incluir muitos desvios introspectivos e experimentalismo que sai desse rótulo.

Pelo meio de tudo isto, o caos parecia de facto imperar, com o baterista David Abruzzeesse a fazer as malas e Mike McCready a trocar temporariamente a guitarra pela reabilitação do álcool e das drogas. Vedder tomava as rédeas criativas da banda e, pelo meio lidava com os seus próprios problemas, como a faixa demonstra.

Sem entrar em detalhes de abordagem psicoanalíctica, é notório o auto-debate entre o que são expectativas criadas pela fama, proximidade, a pressão de ser um ícone e as diferenças que existem entre aquilo que alguém é e a imagem que os outros têm (e copiam) de nós e por aí em diante. Na ‘base’ disso tudo? Um casaco que custou 12 dólares a Vedder.

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Um dos pontos de reflexão que, segundo Vedder, levou a este tema foi o facto de ter encontrado à venda um casaco ‘à Eddie Vedder’, vendido como tal, por 650$ quando o seu tinha custado cerca 15$. Essa exploração evidente da sua iconografia deixava-o exposto como um boneco replicável, em que tudo aquilo que era podia ser transformado em produtos inflaccionados vendidos aos fãs. Isso causava desconforto, possivelmente agravado com um personagem criado para uma novela americana a essa altura, que se inspirava também no seu estilo de forma plástica (podem ir surpreender-se ao link para ver quem é o actor, posso dizer desde já que he bangs, he bangs).

Ponto de rotura, ponto de fuga mas sem ponto final

Posso ter escolhido Corduroy mas esta temática da fama, dos caminhos, do que está para vir e das escolhas replica-se em várias formas em várias faixas, a decisão de o mesmo não ter videoclips associados é só mais uma a somar ao percurso. No meu modesto entender, marca também com o ponto final na banda enquanto consensual no seu caminho, sendo como referi possivelmente o seu último álbum mais abrangente em termos de públicos a que agrada. A partir de No Code, apesar de nunca entrarem num experimentalismo Radioheadianesco, a verdade é que a sonoridade é muito mais específica, menos consensual e a distanciar-se do inicial patamar do grunge (apesar da discussão do que é/foi ou não esta corrente poder dar pano para muitas outras mangas).

Isso não impediu, mesmo seguindo porventura um caminho não tão voltado para as massas e mais voltado para si mesmos, de continuarem relevantes no cenário global. Eddie Vedder criou o seu próprio espaço a solo, com as suas preferências e as suas experiências, mas a banda não é apenas uma sombra do passado. Como Vedder diz na entrevista abaixo, ouvir músicas que criaram há 20 anos, numa época em que eram mais ‘inocentes’, não serve apenas para ver como o significado das mesmas pode mudar ao longo desse tempo, serve também para serem relembrados dessa inocência e conseguirem manter-se o mais fieis que possível a si mesmos.

A ideia da composição de música como uma mensagem que o músico manda para o seu futuro eu parece-me interessante. E, neste caso, não deve desagradar aos Pearl Jam a mensagem que mandaram de 1994, através de Vitalogy, até aos dias de hoje.

Vi-te num ecrã do concerto a ver o concerto num ecrã

As câmaras percorriam a multidão em êxtase durante o concerto.

Num dos ecrãs gigantes lá estavas tu, com o telemóvel à frente, tentando captar em directo tudo o que em directo estavas a perder.

A banda tentava comprimir-se para caber ao máximo no teu ecrã mas não conseguia, eram tantos ao mesmo tempo a tentar guardá-los só para si num momento eterno.

 

Eu não fui ao NOS Alive, mas será que tu realmente foste?

Posso não saber a resposta, mas pelo menos sei isto

‘Ir a pé’ essa trend de verão

A questão é simples, farto-me de ver gente moderna que faz férias e repete incessantemente ao voltar ‘era um sítio fantástico, 5 minutos a pé e estávamos na praia, o caminho era delicioso’, ‘aquele local era um achado, 6 minutos a pé e estávamos a fazer yoga no meio de cabras montesas, fantástico’ ou ‘era um spot deluxe, 7 minutos a pé e estávamos num rooftop top a curtir um sunset amazing ao som de um chillout’.

Voltam de férias e dizes para irmos a um sítio que é a 5 minutos a pé e parece que acabas de convidar para nos irmos esfregar num lote de gente gira com ébola.

Onde é que acaba o cool que é poder ir a sítios a pé? Só quando não faz parte da nossa vida quotidiana? Só quando não parece que é vulgar e dá trabalho? Andar a pé é coisa de gente que aprecia suar?

Não sei bem a resposta, mas vou andando. A pé, para ver se as respostas chegam primeiro.

 

Currículo do autor

Ia para a escola primária a pé (mas tinha sapatos, uma casa, família e essas cenas fixes, não era caso de pobreza, mas coisa de proximidade)

Ia para a escola preparatória a pé (às vezes a correr, devido a passagem por zona mitra)

Ia para a escola secundária a pé (7 minutos para chegar à escola, às vezes horas para voltar)

Ia para a faculdade a pé (com excepções por motivo de ressaca, interesses femininos, vida de deboche)

Actualmente, vou de casa para o trabalho muitas vezes a pé (20-25 minutos) – é um luxo que estimo, tentando não levar cheiro a estábulo para o local de trabalho.